domingo, 19 de outubro de 2014

Tranquilidade (André Luiz)


1 - Comece o dia na luz da oração.
O amor de Deus nunca falha.

2 - Aceite qualquer dificuldade sem discutir.
Hoje é tempo de fazer o melhor.

3 - Trabalhe com alegria.
O preguiçoso, ainda mesmo quando se mostre num pedestal de ouro maciço, é um cadáver que pensa.

4 - Faça o bem quanto possa.
Cada criatura transita entre as próprias criações.

5 - Valorize os minutos.
Tudo volta, com exceção da hora perdida.

6 - Aprenda a obedecer no culto das próprias obrigações.
Se você não acredita na disciplina, observe um carro sem freio.

7 - Estime a simplicidade.
O luxo é o mausoléu dos que se avizinham da morte.

8 - Perdoe sem condições.
Irritar-se é o melhor processo de perder.

9 - Use a gentileza, mas de modo especial, dentro da própria casa.
Experimente atender aos familiares como você trata as visitas.

10 - Em favor da sua paz, conserve fidelidade a si mesmo.
Lembre-se de que, no dia do Calvário, a massa aplaudia a causa triunfante dos crucificadores, mas o Cristo, vencido e solitário, era a causa de Deus.

Fonte: http://www.espiritbook.com.br/profiles/blog/show?id=6387740%3ABlogPost%3A1913440&xgs=1&xg_source=msg_share_post

sábado, 11 de outubro de 2014

DECISÃO E VONTADE Autor: Emmanuel Psicografia de Chico Xavier


Incerteza parece coisa de pouca, mas é assunto de importância fundamental no caminho de cada um.

As criaturas entram na instabilidade moral, habituam-se a ela, e passam ao domínio das forças negativas sem perceber.

Dizem-se confiantes pela manhã e acabam indecisas à noite.

Freqüentemente rogam em prece:

- Senhor! Eis-me diante de tua vontade!...Mostra-me o que devo fazer!...

E quando o Senhor lhes revela, através das circunstâncias, o quadro de serviço a expressar-se, conforme as necessidades a que se ajustam, exclamam em desconsolo:

- Quem sou eu para realizar semelhante tarefa? Não tenho forças. Ai de mim que sou inútil!...

Sabem que é preciso servir para se renovarem, mas paradoxalmente esperam renovar-se sem servir. Dispõem de verbo fácil e muitas vezes se proclamam inabilitadas para falar auxiliando a alguém nas construções do Espírito.

Possuem dedos ágeis, quais filtros inteligentes engastados nas mãos; entretanto, costumam asseverar-se inseguras na execução das boas obras.

Ouvem preleções edificantes ou mergulham-se na assimilação de livros nobres, prometendo heroísmo para o dia seguinte, mas, passada a emoção, volvem à estaca zero, à maneira de viajante que desiste de avançar nos primeiros passos de qualquer jornada.

Louvam na rua o equilíbrio e a serenidade e, às vezes, dentro de casa, disputam campeonatos de irritação.

O dever jaz à frente, a oportunidade de elevação surge brilhando, os recursos enfileiram-se para o êxito e realizações chamam urgentes, mas preferem a fuga da obrigação sob o pretexto de que é preciso cautela para evitar o mal, quando o bem francamente lhes bate à porta.

Trabalho, ação, aprendizado, melhoria!...

Não te ponhas à espera deles sob a imaginária incapacidade de procurá-los, à vista de imperfeições e defeitos que te marcaram ontem.

Realização pede apoio da fé. Mãos à obra.

Tudo o que serve para corrigir, elevar, educar e construir, nasce primeiramente no esforço da vontade unida à decisão.

Emmanuel

Fonte: http://www.espiritbook.com.br/profiles/blog/show?id=6387740%3ABlogPost%3A1896790&xgs=1&xg_source=msg_share_post

Acordemos - André Luiz


É sempre fácil
examinar as consciências alheias,
identificar os erros do próximo,
opinar em questões que não nos dizem respeito,
indicar as fraquezas dos semelhantes,
educar os filhos dos vizinhos,
reprovar as deficiências dos companheiros,
corrigir os defeitos dos outros,
aconselhar o caminho reto a quem passa,
receitar paciência a quem sofre
e retificar as más qualidades de quem segue conosco...
Mas enquanto nos distraimos,
em tais incursões a distância de nós mesmos,
não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição.
Enquanto nos ausentamos
do estudo de nossas próprias necessidades,
olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva,
somos simplesmente
cegos do mundo interior
relegados à treva...
Despertemos, a nós mesmos,
acordemos nossas energias mais profundas
para que o ensinamento do Cristo
não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida,
porque o infortúnio maior de todos
para a nossa alma eterna
é aquele que nos
infelicita quando a graça do Alto
passa por nós em vão!...
André Luiz/ Francisco Cândido Xavier
Livro: Caridade.

Para este eu tiro o boné

Dias destes, passando pelas ruas de Caldas Novas, em uma esquina próxima ao meu escritório, encontrei com o meu amigo e irmão José Henrique, que estava a conversar com uma pessoa, e este estava com um boné bem atolado em sua cabeça, parecendo esconder-se de alguma coisa.
Houve os cumprimentos e as apresentações.
Aquele senhor disse seu nome, e eu, talvez pego por uma pequena distração, não cheguei a anotá-lo,  que me pareceu meio esquisito, mas fiquei bem atento ao seu apelido, “Baiano” ou mesmo “Bahia”, como me fez ênfase tal epíteto.
Quando o José Henrique disse o meu nome, numa apresentação cheia de galanteios, o “homem de boné”, com toda a mesura, foi logo falando:
– Hã! O senhor é aquele juiz de uma sentença meia doida que absolveu um rapaz por meio de uma carta do Chico Xavier?
Fiquei meio ressabiado, porque não conhecendo aquele senhor, tive um certo receio de responder. Mas timidamente respondi:
– Sou eu mesmo, por quê?
Aí o “homem de boné” levantou-se e com uma mesura de encabular a qualquer um disse num repente:
– Para o senhor eu tiro o boné, pois que já ouvi falar muito a seu respeito, não só de onde vim, mas também de Uberaba, onde passei uma temporada, ouvindo falar a respeito de um juiz meio doido de Goiás que fez tal absolvição. Só mesmo um louco para acreditar em um simples papel de um senhor já velho, mas que eu sempre tive o prazer de ouvi-lo e seguir seus conceitos quando em Uberaba morava.
O homem continuou olhando para mim, que cheguei a tremer, acreditando que ele iria me agredir pelo seu tom de voz. 
Continuou:
– Sabe o senhor, quando digo que somente um louco poderia aceitar tal carta e absolver um assassino é porque na vida jurídica do nosso País tal documento é inaceitável e quase ninguém acredita nas psicografias. Assim, o senhor foi muito corajoso, pois que, na ocasião de sua decisão, não existia nada dentro do mundo jurídico que poderia servir de exemplo.
Quis retirar-me do local, pois já estava me sentindo meio constrangido com aquela conversa, pois vem de quase trinta anos sempre ouvindo tal  catilinária, e, em alguns casos, ouvindo críticas e mais críticas daquela decisão. Também ouvi vários elogios e fui levado a prestar testemunho em vários programas de televisão, inclusive na Rede Globo, onde exploraram por demais a minha pessoa e a minha decisão. E agora, aquele senhor chamado não sei como, com epíteto de Baiano ou Bahia, num rompante de homem “meio passado”, “tirando seu boné”, num gesto de elogio à minha pessoa, me colocou “de encontro à parede”, com tais assertivas.
Só sei dizer, prezado cara-pálida, após prolatado aquela sentença, o rumo de minha vida mudou em muito e eu sempre tenho de estar presente a todos os chamados a dar explicações no respeitante àquela decisão.
Aliás, o Chico Xavier já havia me dito que eu teria que ficar calmo, pois seria sempre chamado a prestar esclarecimentos até o fim de minha vida.
De fato, sempre conformei-me com tais situações, mas pego de surpresa deste jeito, o que tenho a dizer é que eu vou “pedir o meu boné” e sumir um pouco de circulação.
(Orimar de Bastos, juiz de Direito aposentado, advogado militante em Caldas Novas, membro da Academia Tocantinense de Letras, ocupante da Cadeira n° 33 e membro da Academia de Letras e Artes de Piracanjuba-GO e Cidadão Calda-novense)
Fonte: http://www.dm.com.br/texto/192676-para-este-eu-tiro-o-bone

EXCESSO - Emmanuel


Pois que aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo e
perder a sua alma?” – JESUS (Marcos, 8:36)
Enquanto a criatura permanecer no corpo terrestre, é natural que se preocupe com o problema da própria manutenção.
Vigilância não exclui previdência.
Mas não podemos olvidar que o apego ao supérfluo será sempre introdução à loucura.
Tudo aquilo que o homem ajunta abusivamente, no campo exterior, é motivo para aflição ou inutilidade.
Patrimônios físicos sem proveito, isca de sombra atraindo inveja e discórdia.
Alimentos guardados, valores a caminho da podridão.
Roupa em desuso, asilo de traças.
Demasiados recursos amoedados, tentações para os descendentes.
Todo excesso é parede mental isolando aqueles que o criam, em cárceres de orgulho, egoísmo, vaidade e mentira.
Observa, assim, o material que amontoas.
Tudo o que está fora de ti representa caminho em que transitas.
Agarrar-se, pois, ao efêmero é prender-se à ilusão.
Mas todos os bens espirituais que ajuntares em ti mesmo, como sejam virtude e educação, constituem valores inalienáveis a brilharem contigo, aqui ou alhures, sublimação para a vida eterna.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel

ERIC STANISLAS - relato de espírito mediano no pós-morte - O Céu e o Inferno (1865)

[O Céu e o Inferno - Espíritos em Condições Medianas]

(Comunicação espontânea. Sociedade de Paris; agosto de 1863.)
Joelhos
Que ventura nos proporcionam as emoções vivamente sentidas por valorosos corações!
Ó suaves pensamentos que vindes abrir o caminho da salvação a tudo que vive, que respira material e espiritualmente.
Não deixe jamais o bálsamo consolador de derramar-se profusamente sobre vós e sobre nós!
De que expressões nos servirmos, que traduzam a felicidade dos irmãos, desencarnados, ao perscrutarem o amor que une a todos?
Ah! irmãos, quanto bem por toda parte, que de sentimentos suaves, elevados e simples como vós, como a vossa Doutrina, sois chamados a implantar ao longo da estrada a percorrer; mas, também, quanto vos será outorgado antes mesmo de terdes adquirido direitos!
Assisti a tudo quanto se passou esta noite; ouvi, compreendi e vou procurar a meu nuto cumprir o meu dever e instruir a classe dos Espíritos imperfeitos. 
Ouvi: eu estava longe de ser feliz; abismado na imensidade, no infinito, os meus padecimentos eram tanto mais intensos, quanto difícil me era o compreendê-los.
“Bendito seja Deus, que me permitiu vir a um santuário, que não pode ser franqueado impunemente pelos maus.
“Amigos, quanto vos agradeço, quanto de forças entre vós recobrei!
Nosso_Lar-9Ó homens de bem, reuni-vos constantemente; estudai, uma vez que não podeis duvidar dos frutos das reuniões sérias; os Espíritos que têm muito ainda a aprender, os que ficam voluntariamente inativos, preguiçosos e esquecidos dos seus deveres, podem encontrar-se, em virtude de circunstâncias fortuitas ou não, aí entre vós; e então, fortemente tocados, quantas vezes lhes é dado, reconhecendo-se, entreverem o fim, o objetivo cobiçado, ao mesmo tempo que procurarem, fortes pelo exemplo que lhes dais, os meios de fugir ao penoso estado que os avassala.
“Com grande satisfação me constituo intérprete das almas sofredoras, porquanto é a homens de coração que me dirijo, na certeza de não ser repelido.

“Ainda uma vez aceitai, pois, homens generosos, a expressão do meu reconhecimento em particular, e em geral de todos a quem tanto bem tendes feito, talvez sem o saberdes.
Eric Stanislas.
O guia do médium: — Meus filhos, este é um Espírito que sofreu por muito tempo, transviado do bom caminho.
Agora compreendeu os seus erros, arrependeu-se e volveu os olhos para o Deus que negara.
A sua posição não é a de um feliz, porém ele aspira à felicidade e não mais sofre.
 
Deus permitiu-lhe esta audição para que desça depois a uma esfera inferior, a fim de instruir e estimular o progresso de Espíritos que, como ele, transgrediram a lei.
É a reparação que lhe compete. Afinal, ele conquistará a felicidade, porque tem força de vontade.
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PERANTE ALLAN KARDEC - Emmanuel / Chico Xavier


Disse o Cristo: “Há muitas moradas na casa do Pai”.
Sem Allan Kardec não perceberíamos que o Mestre relaciona os mundos que enxameiam na imensidade cósmica, a valerem por escolas de experiência, nos objetivos da ascensão espiritual. 

Disse o Cristo: “Necessário é nascer de novo”.
Sem Allan Kardec, não saberíamos que o Sublime Instrutor não se refere à mudança íntima da criatura, nos grandes momentos da curta existência física, e sim à lei da reencarnação. 

Disse o Cristo: “Se a tua mão te escandaliza corta-a; ser-te-á melhor entrar na vida aleijado que, tendo duas mãos, ires para o inferno”.
Sem Allan Kardec, não concluiríamos que o Excelso Orientador se reporta às grandes resoluções da alma culpada, antes do renascimento no berço humano, com vistas à regeneração necessária, de modo a não tombar no sofrimento maior, em regiões inferiores ao planeta terrestre. 

Disse o Cristo: “Quem vier a mim e não deixar pai e mãe, filhos e irmãos, não pode ser meu discípulo”.
Sem Allan Kardec, não reconheceríamos que o Divino Benfeitor não nos solicita a deserção dos compromissos para com os entes amados e sim nos convida a renunciar ao prazer de sermos entendidos e seguidos por eles, de imediato, sustentando, ainda, a obrigação de compreendê-los e servi-los por nossa vez. 

Disse o Cristo: “Perdoai não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes”.
Sem Allan Kardec, não aprenderíamos que o Mestre não nos inclina à falsa superioridade daqueles que anelam o reino dos céus tão somente para si próprios, e sim nos faz sentir que o perdão é dever puro e simples, a fim de não cairmos indefinidamente nas grilhetas do mal. 

Disse o Cristo: “Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres”.
Sem Allan Kardec, desconheceríamos que o raciocínio não pode ser alienado em assuntos da fé e que a religião deve ser sentida e praticada, estudada e pesquisada, para que não venhamos a converter o Evangelho em museu de fanatismo e superstição. 

Cristo revela.
Kardec descortina. 

Diante, assim, do Três de Outubro que nos recorda o natalício do Codificador, enderecemos a ele, onde estiver, o nosso preito de reconhecimento e de amor, porquanto todos encontramos em Allan Kardec o inolvidável paladino de nossa libertação. 

Pelo Espírito Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro: "Irmãos Unidos", Lição nº 18, Página 95.

A INFÂNCIA: fase essencial para a vida corporal do Espírito


“Apresentaram-lhe então algumas crianças, a fim de que ele as tocasse, e, como seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam, Jesus, vendo isso, zangou-se e lhes disse: Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham.” (Marcos,10:13-16.)
A passagem de Marcos, uma das mais singelas do Evangelho, menciona o momento em que Jesus atrai, carinhosamente, para si, as crianças que o assistiam, em meio à multidão de seguidores. A mensagem singular, citada, também, por Mateus (19:13-15) e Lucas (18:15-17), é transmitida pelo Mestre, ao mostrar aos seus discípulos que a conquista do reino dos céus seria para aqueles que possuíssem a inocência e a candura do ser infantil. 
 
Jesus destaca a infância como importante período para o Espírito reencarnado e, ao dirigir-se às crianças, por meio de expressão de doçura incomparável, demonstra enorme cuidado em tratá-las amorosamente: abraça-as, abençoa-as e impõe-lhes as mãos, e repreende os seus apóstolos que as queriam afastar para que não atrapalhassem a transmissão de seus ensinamentos divinos. O que teria acontecido ao grupo infantil que conheceu o Cristo pessoalmente naquela inesquecível ocasião? Certamente, nunca mais olvidou o encantamento que sentiu com a aproximação do Mestre, a lhe transmitir lições maravilhosas, em meio às vibrações dulcíssimas emanadas de sua pregação. 
 
Um desses infantes, de acordo com a narrativa do autor espiritual Camilo Cândido Botelho, através da médium Yvonne A. Pereira, foi Aníbal de Silas, um dos anjos-tutelares do Hospital Maria de Nazaré (Instituição Espiritual destacada pelo referido autor, na obra Memórias de um Suicida). 
 
Aníbal, ainda menino, estava presente no ajuntamento de crianças acariciadas pelo Rabi da Galiléia, observando, enternecido, a inconfundível ternura de Jesus, ao pronunciar a exortação que haveria de sensibilizar e arrebatar os corações de todos os que o seguissem. A partir desse dia, Aníbal de Silas divulgou, intensamente, a Causa do Cristo, preferindo instruir as crianças e A infância: Era uma fase essencial para a vida corporal do Espírito pessoalmente naquela inesquecível ocasião? Certamente, nunca mais olvidou o encantamento que sentiu com a aproximação do Mestre, a lhe transmitir lições maravilhosas, em meio às vibrações dulcíssimas emanadas de sua pregação. 
 
É constante o zelo do Plano Maior em orientar-nos sobre a imprescindibilidade dessa fase, e, na análise feita por Allan Kardec, constata-se que esse período da vida corporal torna o ser [...] mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que torna mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.² O Espírito Emmanuel, em estudos sobre a matéria, afirma: 
 
– O período infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas, e os pais espiritistas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação aos filhos, nas grandes revelações da vida. Em nenhuma hipótese, essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encarada com indiferença.³ 
 
Desde o século XVIII, até a atualidade, filósofos, educadores psicólogos e estudiosos dos aspectos do comportamento infantil, entre eles, os mais clássicos, como:
Jean-Jacques Rosseau (1712-1778), Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), Friedrich Fröbel (1782-1852), Édouard Claparède (1873-1940), Maria Montessori (1870-1952), John Dewey (1859-1952), Henri Wallon (1879-1962) e Jean Piaget (1896-1980) à partir de seus diferentes enfoques teóricos, compartilham do princípio de que a criança deve ter um tempo próprio para o desabrochar de suas capacidades e aptidões, deixando-se guiar, física e emocionalmente, pelo aprendizado que lhe é oferecido, no meio familiar ou fora dele; essas vivências irão determinar, em sua existência atual, hábitos e maneiras de agir, característicos de sua personalidade. 
 
Infelizmente, a impaciência de certos pais, para que as crianças cresçam apressadamente, ignora o fato de que elas são organismos em crescimento; preocupam-se em sobrecarregar os filhos com tarefas e atividades desnecessárias, sem nenhum critério de seleção quanto aos benefícios efetivos que possam trazer para a formação do comportamento infantil. A resposta dada à questão 380, de O Livro dos Espíritos, é elucidativa sobre o problema: 
 
Desde que se trate de uma criança, é claro que, não estando ainda nela desenvolvidos, não podem os órgãos da inteligência dar toda a intuição própria de um adulto ao Espírito que a anima. Este, pois, tem, efetivamente, limitada a inteligência, enquanto a idade lhe não amadurece a razão. [...] 
 
A palavra amadurecimento está pejada de significações diferentes para aqueles que acompanham, atentos, o crescimento e o desenvolvimento da criança, no decorrer das idades e das fases que atravessa. Nem todos os pais compreendem que as crianças devem ser crianças antes de se tornarem pessoas adultas; tentam inverter essa ordem sem admitir que a infância tem seu próprio modo de pensar, ver e sentir. Em razão disso, meninos e meninas, estimulados por genitores demasiadamente liberais, negligentes, omissos, ou influenciados pelos modismos da sociedade hodierna, vivem experiências sociais, culturais e educacionais inadequadas à sua idade, como, por exemplo: a) comparecimento em festas e reuniões, impróprias à infância, onde são estimulados os namoricos e as trocas de afetos precoces; b) cuidados excessivos com a beleza física (maquiagem, cabeleireiro, participação em concursos de beleza etc.); c) usança de bens de consumo dispensáveis (roupas e acessórios caros e de grife, joias, equipamentos eletrônicos de alta tecnologia, brinquedos sofisticados, celulares etc.); d) convivência em grupos virtuais, sem o necessário acompanhamento de pais e educadores, e uso indevido da Internet, permitindo-lhes acessar páginas e sites de relacionamento e propaganda desaconselháveis para essa faixa etária; e) leituras de livros, revistas, jornais, de literatura violenta e perniciosa; publicações adotadas com o pressuposto de que tais instrumentos auxiliam a criança a extravasar suas tensões; f) manejo de jogos eletrônicos com cenas de crimes, guerras e violências; g) acesso indiscriminado à TV, DVD, sem seleção de filmes e programas mais apropriados para infância, em detrimento das condições favoráveis da convivência no lar e em sociedade; h) relacionamento entre grupos de crianças que promovem brincadeiras e práticas de jogos prejudiciais à formação ético-moral do ser; i) participação em atividades artísticas (dança, canto, dramatização) nem sempre adequadas à idade infantil, e que estimulam os apelos sensuais; j) envolvimento desmesurado em atividades intelectuais, em prejuízo de sua educação moral. 
 
Resta saber que frutos darão mais tarde essas sementes. 
 
Allan Kardec, na Revista Espírita, de fevereiro de 1864, como a prever descalabros desse tipo na educação familiar, alerta os pais para o fato de que os filhos precisam ser dotados [...] de uma natureza excepcionalmente boa para resistir a tais influências, produzidas na idade mais impressionável e onde não podem encontrar o contrapeso da vontade, nem da experiência [...]6 
 
O nobre Espírito Joanna de Ângelis, referindo-se a problemas dessa natureza, adverte que esses mecanismos lhes facultam [...] a permissividade que o educando não tem condições de absorver, naufragando, desde cedo, nos abusos de toda ordem, com prejuízo da futura realização moral, social, profissional
e doméstica, ao se tornar genitor. 
 
O Espiritismo destaca a missão e a responsabilidade dos pais, permitindo-lhes conhecer a fonte das qualidades inatas, boas ou más, dos Espíritos que reencarnam, e orientando-os para a maneira mais racional e fraterna, e, de forma gradual, de como deve ser educada a prole, nas famílias verdadeiramente espíritas. 
 
O convite de Jesus, para que todas as crianças permaneçam ao seu lado é para lembrar-nos de que há na vida valores humanos e cristãos que devem ser, pouco a pouco, descobertos e vivenciados por elas, sem perder de vista que precisamos propiciar-lhes um sadio desenvolvimento, deixando-as viver esse momento mágico da infância, sem prescindir de uma criação baseada no amor verdadeiro que enseje respeito, união e solidariedade entre todos. 
 
Referências:
1PEREIRA, Yvonne A. Memórias de um suicida. Pelo Espírito Camilo Cândido Botelho. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008.
P. 3, A Cidade Universitária, item Mansão da Esperança, p. 518-519.
2KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro.
25. ed. de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Cap. 8, item 4, p. 159.
3XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 113.
4ELKIND, David. Desenvolvimento e educação da criança. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978. Cap. 2, p. 36-50.
5KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 91. ed. 1. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Q. 380.
6______. Primeiras Lições de Moral da Infância. Revista espírita: jornal de estudos psicológicos, ano 7, p. 61, fev. 1864. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
7FRANCO, Divaldo P. Constelação familiar. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador (BA): LEAL, 2008. Cap. 29, p. 181-185.
Março 2009 • Reformador 
 
Fonte: blog "Estudo: Espiritismo, Kardec"