quarta-feira, 9 de abril de 2014

Não há Semana Santa espírita

A Doutrina Espírita, que respeita todas as religiões, não comemora a Semana Santa. Para ela, são santas todas as semanas, ideais para a prática do bem e o aprimoramento moral.
O Espiritismo não tem liturgia, nem símbolos, nem sacerdócio organizado; não adota em suas práticas paramentos ou quaisquer vestes especiais; não usa vinho ou outras bebidas alcoólicas, incenso, mirra, fumo ou demais substâncias que produzem fumaça; altares, imagens, andores, velas e objetos semelhantes; procissões e atos análogos; pagamento de qualquer espécie por graças alcançadas, talismãs, bentinhos e escapulários; rituais e exclamações extravagantes, sacramentos, concessão de indulgências e distribuição de títulos nobiliárquicos.
A Semana Santa é uma tradição de 1.700 anos da Igreja Católica. Começou após o Concílio de Niceia, com o decreto papal que fixou como data mais importante do ano eclesiástico, maior mesmo do que o próprio Natal, o Domingo da Ressurreição – ou a Páscoa dos cristãos. Segundo a tradição, Cristo morreu numa sexta-feira de lua cheia, embora este detalhe não conste de nenhum dos quatro Evangelhos. Como o mês lunar é cerca de dois dias menor do que o mês terrestre, as fases do nosso satélite (minguante, lua nova, quarto crescente e cheia) nunca ocorrem nos mesmos dias de um ano terrestre para outro, daí as variações que se refletem em todas as demais festas móveis da Igreja, dependentes do Domingo da Ressurreição, porque a fé cristã se baseia no triunfo de Jesus sobre a morte.
A Semana Santa é um teatro sacro, com encenações que vão do Domingo de Ramos, quando o Mestre foi recebido em triunfo pela população de Jerusalém que lhe acenava com ramos, interpretado pela Procissão de Ramos, às comemorações do Domingo da Ressurreição, na glória de sua volta a este mundo, tão vivo como antes. Nos demais dias, ela traz o teatro da Procissão do Fogaréu, do Lava-pés, da Via Sacra, da Procissão do Encontro, do Descendimento da Cruz, do Canto do Perdão, das procissões do Encontro, do Enterro e da Ressurreição e da própria queima de Judas.
Quando a 
bênção é 
palavra morta 
No seu excelente livro Viver em Plenitude, Richard Simonetti ensina que o pai que displicentemente abençoa o filho, sem tirar os olhos da televisão ou do jornal, da internet ou do celular, não vai além da palavra morta. Já a mãe diligente, que leva a criança ao leito, conversa com ela, conta-lhe uma história e a beija carinhosamente, põe a própria alma a abençoá-la, envolvendo-a em poderosas vibrações de amor.
Ao contrário da bênção, amaldiçoar é desejar mal a alguém. A maldição é a bênção ao avesso, é um pensamento revestido de carga magnética deletéria, passível de provocar-lhe nervosismo, tensão e mal-estar. Se, porém, o amaldiçoado é pessoa de bem, evangelizada, de ideias positivas e sentimentos nobres, não haverá receptividade para as maldosas vibrações despejadas contra ele.
É dando que se recebe. Bênçãos e maldições são como bumerangues, aqueles brinquedos australianos em forma de arco, que retornam às nossas mãos quando os atiramos. Se amaldiçoamos alguém, o mal que lhe desejamos volta invariavelmente para nós, precipitando-nos em perturbações e desequilíbrios, intoxicando-nos com nosso próprio veneno. Por outro lado, aquele que abençoa, que deseja o bem ao próximo, alimenta-se de suas próprias intenções benfazejas.
Quando não 
podemos rezar o Pai Nosso 
Aprendemos com a irmã Neusa Terezinha Melo Alves, da Irradiação Espírita Cristã, esta lição atribuída a Madre Teresa de Calcutá, a albanesa que viveu seus 87 anos na dedicação total aos pobres:
“Não posso dizer “Pai Nosso”, se não vejo em todos os homens irmãos meus.
Não posso dizer “que estais nos Céus”, se o que me preocupa são só os bens da Terra.
Não posso dizer “santificado seja o vosso nome”, se minha vida cristã é falsa”.
Não posso dizer “venha a nós o vosso reino”, se não deixo o amor de Deus crescer em mim.
Não posso dizer “seja feita a vossa vontade”, se o que me importa é só o que eu quero.
Não posso dizer “o pão nosso de cada dia nos daí hoje”, se não sou capaz de repartir o pão com os necessitados”.
Não posso dizer “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, se a minha vida é permanente ofensa à justiça e à caridade.
Não posso dizer “e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal” se fecho os olhos e fujo de minhas responsabilidades na construção de um mundo melhor.
Não posso dizer “amém”, porque minto se não aceito tudo isso”.
Fonte: http://www.dm.com.br/texto/172462-nao-ha-semana-santa-esparita-

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