sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Aproveitar a vida


Você aproveita a vida?
É muito comum ouvir as pessoas e, principalmente os jovens, dizendo que querem aproveitar a vida. E isso geralmente é usado como desculpa para eximir-se de assumir responsabilidades.
Mas, afinal de contas, o que é aproveitar a vida?
Para uns é matar-se aos poucos com as comilanças, bebidas alcoólicas, fumo e outras drogas.
Para outros é arriscar a vida em esportes perigosos, noitadas de orgias, consumir-se nos prazeres carnais.
Talvez isso se dê porque muitos de nós não sabemos porque estamos na Terra. E, por essa razão, desperdiçamos a vida em vez de aproveitá-la.
Certo dia, um jovem que trabalhava em uma repartição pública, na companhia de outros colegas que costumavam se reunir todos os finais de expediente para beber e fumar à vontade, foi convidado a acompanhá-los.
Ele agradeceu e disse que não bebia e que também não lhe agradava a fumaça do cigarro. Os demais riram dele e lhe perguntaram, com ironia, se a religião não lhe permitia, ao que ele respondeu: A minha inteligência é que me impede de fazer isso.
E que inteligência é essa que não lhe permite aproveitar a vida? Perguntaram os colegas.
O rapaz respondeu com serenidade: E vocês acham que eu gastaria o dinheiro que ganho para me envenenar? Vocês se consideram muito espertos, mas estão pagando para estragar a própria saúde e encurtar a vida que, para mim, é preciosa demais.
* * *
Observando as coisas sob esse ponto de vista, poderemos considerar que aproveitar a vida é dar-lhe o devido valor.
É investir os minutos preciosos que Deus nos concede em atividades úteis e nobres.
Quando dedicamos as nossas horas na convivência salutar com os familiares, estamos bem aproveitando a vida.
Quando fazemos exercícios, nos distraímos no lazer, na descontração saudável, estamos dando valor à vida.
Quando estudamos, trabalhamos, passeamos, sem nos intoxicar com drogas e excessos de toda ordem, estamos aproveitando de forma inteligente as nossas existências.
Quando realmente gostamos de alguma coisa, fazemos esforços para preservá-la. Assim também é com relação à vida. E não nos iludamos de que a estaremos aproveitando acabando com ela.
Se você é partidário dessa ideia, vale a pena repensar com seriedade em que consiste o aproveitamento da vida.
E se você acha que os vícios lhe pouparão a existência, visite alguém que está se despedindo dela graças a um câncer de pulmão, provocado pelo cigarro.
Converse com quem entrega as forças físicas a uma cirrose hepática causada pelos alcoólicos.
Ouça um guloso inveterado que se encontra no cárcere da dor por causa dos exageros na alimentação.
Visite um infeliz que perdeu a liberdade e a saúde para as drogas que o consomem lentamente.
Observando a vida através desse prisma, talvez você mude o seu conceito sobre aproveitar a vida.
* * *
A vida é um poema de beleza, cujos versos são constituídos de propostas de luz, escritas na partitura da natureza, que lhe exalta a presença em toda parte.
Em consequência, a oportunidade da existência física constitui um quadro à parte de encantamento e conquistas, mediante cuja aprendizagem o Espírito se embeleza e alcança os altos planos da realidade feliz.

Redação do Momento Espírita

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Oração pelo Planeta - Meditação


Fique numa posição bem confortável.
Procure desenvolver um estado de afetividade e de paz interior... Relaxe...
Mentalize em torno de si um campo de energia luminosa cheia de vitalidade e de alegria.
Faça algumas respirações profundas, lembrando que é o abdômen que deve inflar e se contrair nos movimentos respiratórios e não o tórax.
Ao inspirar, visualize esse ar luminoso, carregado de energia e de alegria, penetrando em seu corpo, espalhando-se por ele.
Não pense... apenas sinta um estado de calma, de profunda paz...
Relaxe.
Pense em alguém a quem você ama com muita ternura... Desenvolva esse sentimento, ampliando-o, envolvendo todo o seu entorno nessa emoção tão boa...
Agora que estamos com nossas emoções vibrando no amor, vamos imaginar que estamos numa nave espacial estacionada a grande altura, de onde vemos a Terra girando lindamente no espaço.
Olhemos para o nosso planeta com muito amor, como se o estivéssemos abraçando com muito carinho. Afinal, trata-se da nossa casa cósmica...
Pensemos nas belezas da natureza... Nas matas verdes... Nos oceanos azuis... Nas cordilheiras geladas... Nas terras férteis onde são plantados os alimentos que nutrem os seres humanos e muitos animais.
Pensemos com amor na humanidade terrena e elevemos nosso pensamento ao Senhor da Vida, para dizer:
*Senhor da Vida e do Universo, neste momento ligamos nossos pensamentos a Ti, pedindo Teu amparo para o nosso planeta.
Que o Teu amor envolva a Terra, abençoando e protegendo a natureza... na terra, nas águas e em toda a atmosfera terrena. 
Que o Teu amor e a Tua paz envolvam toda a humanidade terrena, vibrando amor em todos os corações, pacificando, predispondo ao bem, á honestidade, à paz, ao respeito pela natureza, pelas pessoas, pelos animais...
Que a Tua luz ilumine todas as consciências na Terra, induzindo as pessoas a se guiarem por Tuas leis, para que os sofrimentos tenham fim, e a felicidade e o bem-estar possam ficar ao alcance de todos.
Que as Tuas leis se tornem cada vez mais claras nas consciências de todos nós que nos irmanamos nestas orações pela Terra, dando sempre um norte seguro e benéfico ao nosso jornadear...
Te agradecemos Senhor da Vida e pedimos mais uma vez a Tua proteção, amparo e ajuda ao nosso planeta Terra e a toda a humanidade.
Paz, harmonia, afeto e contentamento nos nossos corações.”

Procuremos continuar sentindo esses sentimentos tão bons que são o amor e a paz.


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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Grande Pergunta de Jesus - Texto para Reflexão sobre o Evangelho


E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?
Jesus 
(Lucas, capítulo 6, versículo 46.)
 Em lamentável indiferença, muitas pessoas esperam pela morte do corpo, a fim de ouvirem as sublimes palavras do Cristo.
 Não se compreende, porém, o motivo de semelhante propósito. O Mestre permanece vivo em seu Evangelho de Amor e Luz.
 É desnecessário aguardar ocasiões solenes para que lhe ouçamos os ensinamentos sublimes e claros.
 Muitos aprendizes aproximam-se do trabalho santo, mas desejam revelações diretas.
 Teriam mais fé, asseguram displicentes, se ouvissem o Senhor, de modo pessoal, em suas manifestações divinas.
 Acreditam-se merecedores de dádivas celestes e acabam considerando que o serviço do Evangelho é grande em demasia para o esforço humano e põem-se à espera de milagres imprevistos, sem perceberem que a preguiça sutilmente se lhes mistura à vaidade, anulando-lhes as forças.
 Tais companheiros não sabem ouvir o Mestre Divino em seu verbo imortal.
 Ignoram que o serviço deles é aquele a que foram chamados, por mais humildes lhes pareçam as atividades a que se ajustam.
 Na qualidade de político ou de varredor, num palácio ou numa choupana, o homem da Terra pode fazer o que lhe ensinou Jesus.
 É por isso que a oportuna pergunta do Senhor deveria gravar-se de maneira indelével em todos os templos, para que os discípulos, em lhe pronunciando o nome, nunca se esqueçam de atender, sinceramente, às recomendações do seu verbo sublime.

Do cap. 47 do livro Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier

ANGÈLE, nulidade sobre a Terra - relato de espírito endurecido pós-morte - O Céu e o Inferno

[O Céu e o Inferno - Espíritos Endurecidos]

(Bordéus, 1862)
Com este nome, um Espírito se apresentou espontaneamente ao médium.
psicografia1. Arrependei-vos das vossas faltas?
— R. Não.
— P. Então por que me procurais?
— R. Para experimentar.
— P. Acaso não sois feliz?
— R. Não.
— P. Sofreis?
— R. Não.
— P. Que vos falta, pois?
— R. A paz.
Certos Espíritos só consideram sofrimento o que lhes lembra as suas dores físicas, convindo, não obstante, ser intolerável o seu estado moral.
2. Como pode faltar-vos a paz na vida espiritual?
— R. Uma mágoa do passado.
— P. A mágoa do passado é remorso; estareis, pois, arrependida?
— R. Não; temor do futuro é o que experimento.
— P. Que temeis?
— R. O desconhecido.
3. Estais disposta a dizer-me o que fizestes na última encarnação?
Isso talvez me facilite a orientar-vos.

— R. Nada.
4. Qual a vossa posição social?
— R. Mediana.
— P. Fostes casada?
— R. Sim; fui esposa e mãe.
— P. E cumpristes zelosa os deveres decorrentes desse duplo encargo?
— R. Não; meu marido entediava-me, bem como meus filhos.
AVENTURADOESPRITO5. E de que modo preenchestes a existência?
— R. Divertindo-me em solteira e enfadando-me como mulher.
— P. Quais eram as vossas ocupações?
— R. Nenhuma.
— P. E quem cuidava da vossa casa?
— R. A criada.
6. Não será cabível atribuir a essa inércia a causa dos vossos pesares e temores?
— R. Talvez tenhais razão. Mas não basta concordar.
— P. Quereis reparar a inutilidade dessa existência e auxiliar os Espíritos sofredores que nos cercam?
— R. Como?
— P. Ajudando-os a aperfeiçoarem-se pelos vossos conselhos e pelas vossas preces.
— R. Eu não sei orar.
— P. Fá-lo-emos juntos e aprendereis. Sim?
— R. Não.
— P. Mas por quê?
— R. Cansa.

Lemaire - depoimento de espírito sofredor após a morte - livro O Céu e o Inferno

[O Céu e o Inferno - Criminosos Arrependidos]

Condenado à pena última pelo júri de Aisne, e executado a 31 de dezembro de 1857.
Evocado em 29 de janeiro de 1858.
guilhotina
1. Evocação.
— R. Aqui estou.
2. Vendo-nos, que sensação experimentais?
— R. A da vergonha.
3. Retivestes os sentidos até o último momento?
— R. Sim.
4. Após a execução tivestes imediata noção dessa nova existência?— R. Eu estava imerso em grande perturbação, da qual, aliás, ainda me não libertei. Senti uma dor imensa, afigurando-se-me ser o coração quem a sofria. Vi rolar não sei quê aos pés do cadafalso; vi o sangue que corria e mais pungente se me tornou a minha dor.
— P. Era uma dor puramente física, análoga à que proviria de um grande ferimento, pela amputação de um membro, por exemplo?
— R. Não; figurai-vos antes um remorso, uma grande dor moral.
5. Mas a dor física do suplício, quem a experimentava: o corpo ou o Espírito?
— R. A dor moral estava em meu Espírito, sentindo o corpo a dor física; mas o Espírito desligado também dela se ressentia.
6. Vistes o corpo mutilado?
— R. Vi qualquer coisa informe, à qual me parecia integrado; entretanto, reconhecia-me
intacto, isto é, que eu era eu mesmo...
— P. Que impressões vos advieram desse fato?
— R. Eu sentia muito a minha dor, estava completamente ligado a ela.
7. Será verdade que o corpo viva ainda alguns instantes depois da decapitação, tendo o supliciado a consciência das suas idéias?
— R. O Espírito retira-se pouco a pouco; quanto mais o retêm os laços materiais, menos pronta é a separação.
8. Dizem que se há notado a expressão da cólera e movimentos na fisionomia de certos supliciados, como se estes quisessem falar; será isso efeito de contrações nervosas, ou um ato da vontade?
— R. Da vontade, visto como o Espírito não se tem desligado.
9. Qual o primeiro sentimento que experimentastes ao penetrar na vossa nova existência?
— R. Um sofrimento intolerável, uma espécie de remorso pungente cuja causa
ignorava.
10. Acaso vos achastes reunido aos vossos cúmplices concomitantemente supliciados?
— R. Infelizmente, sim, por desgraça nossa, pois essa visão recíproca é um suplício contínuo, exprobrando-se uns aos outros os seus crimes.
Hamvirsrest_hhorseman11. Tendes encontrado as vossas vítimas?
— R. Vejo-as... são felizes; seus olhares perseguem-me... sinto que me varam o ser e debalde tento fugir-lhes.
— P. Que impressão vos causam esses olhares?
— R. Vergonha e remorso. Ocasionei-os voluntariamente e ainda os abomino.
— P. E qual a impressão que lhes causais vós?
— R. Piedade, é sentimento que lhes apreendo a meu respeito.
12. Terão por sua vez o ódio e o desejo de vingança?
— R. Não; os olhares que volvem lembram-me a minha expiação. Vós não podeis avaliar o suplício horrível de tudo devermos àqueles a quem odiamos.
13. Lamentais a perda da vida corporal?
— R. Apenas lamento os meus crimes. Se o fato ainda dependesse de mim, não mais sucumbiria.
14. O pendor para o mal estava na vossa natureza, ou fostes ainda influenciado pelo meio em que vivestes?
— R. Sendo eu um Espírito inferior, a tendência para o mal estava na minha própria natureza. Quis elevar-me rapidamente, mas pedi mais do que comportavam as minhas forças. Acreditando-me forte, escolhi uma rude prova e acabei por ceder às tentações do mal.
15. Se tivésseis recebido sãos princípios de educação, ter-vos-íeis desviado da senda criminosa?
— R. Sim, mas eu havia escolhido a condição do nascimento.
— P. Acaso não vos poderíeis ter feito homem de bem?
— R. Um homem fraco é incapaz, tanto para o bem como para o mal. Poderia, talvez, corrigir na vida o mal inerente à minha natureza, mas nunca me elevar à prática do bem.
16. Quando encarnado acreditáveis em Deus?
— R. Não.
— P. Mas dizem que à última hora vos arrependeste...
— R. Porque acreditei num Deus vingativo, era natural que o temesse...
— P. E agora o vosso arrependimento é mais sincero?
— R. Pudera! Eu vejo o que fiz...
— P. Que pensais de Deus então?
— R. Sinto-o e não o compreendo.
Nick_by_tripperfunster17. Parece-vos justo o castigo que vos infligiram na Terra?
— R. Sim.
18. Esperais obter o perdão dos vossos crimes?
— R. Não sei.
— P. Como pretendeis repará-los?
— R. Por novas provações, conquanto me pareça que uma eternidade existe entre elas e mim.
19. Onde vos achais agora?
— R. Estou no meu sofrimento.
— P. Perguntamos qual o lugar em que vos encontrais...
— R. Perto da médium.
20. Uma vez que assim é, sob que forma vos veríamos, se tal nos fosse possível?
— R. Ver-me-íeis sob a minha forma corpórea: a cabeça separada do tronco.
— P. Podereis aparecer-nos?
— R. Não; deixai-me.
21. Poderíeis dizer-nos como vos evadistes da prisão de Montdidier?
— R. Nada mais sei... é tão grande o meu sofrimento, que apenas guardo a lembrança do crime... Deixai-me.
22. Poderíamos concorrer para vos aliviar desse sofrimento?
— R. Fazei votos para que sobrevenha a expiação.

SZYMEL SLIZGOL - relato de espírito após Expiação Terrestre - livro O Céu e o Inferno

[O Céu e o Inferno - Expiações Terrestres]

(Sociedade de Paris, 15 de junho de 1865)
Mendigo judeuEste não passou de um pobre israelita de Vilna, falecido em maio de 1865.
Durante 30 anos mendigou com uma salva nas mãos. Por toda a cidade era bem conhecida aquela voz que dizia:
Lembrai-vos dos pobres, das viúvas e dos órfãos!
Por essa longa peregrinação Slizgol havia juntado 90.000 rublos, não guardando, porém, para si um só copeque.
Aliviava e curava os enfermos; pagava o ensino de crianças pobres; distribuía aos necessitados a comida que lhe davam.
A noite, destinava-a ele ao preparo do rapé, que vendia a fim de prover às suas necessidades, e o que lhe sobrava era dos pobres.
Foi só no mundo, e no entanto o seu enterro teve o acompanhamento de grande parte da população de Vilna, cujos armazéns cerraram as portas.
- Evocação:
- Excessivamente feliz, chegado, enfim, à plenitude do que mais ambicionava e bem caro paguei, aqui estou, entre vós, desde o cair da noite. Agradecido, pelo interesse que vos desperta o Espírito do pobre mendigo, que, com satisfação, vai procurar responder às vossas perguntas.
— P. Uma carta de Vilna nos deu conhecimento das particularidades mais notáveis da vossa existência, e da simpatia que tais particularidades nos inspiram nasceu o desejo de nos comunicar convosco. Agradecemos a vossa presença, e, uma vez que quereis responder-nos, principiaremos por vos assegurar que mui felizes seremos se, para nossa orientação, pudermos conhecer a vossa posição espiritual, bem como as causas que determinaram o gênero de vida que tivestes na última encarnação.
— R. Em primeiro lugar, concedei ao meu Espírito, cônscio da sua verdadeira posição, o favor de vos transmitir a sua opinião, com respeito a um pensamento que vos ocorreu quanto à minha personalidade. E reclamo previamente os vossos conselhos, para o caso de ser falsa essa minha opinião.
Parece-vos singular que as manifestações públicas tomassem tanto vulto, para homenagear a memória do homem insignificante que soube por seu Espírito caridoso atrair tal simpatia. Não me refiro a vós, caro mestre, nem a ti, prezado médium, nem a vós outros verdadeiros e sinceros espíritas; falo, sim, para as pessoas indiferentes à crença, pois, nisso, nada houve de extraordinário. A pressão moral exercida pela prática do bem, sobre a Humanidade, é tal que, por mais materializada que esta seja, inclina-se sempre, venera o bem, a despeito da sua tendência para o mal.
Agora, as perguntas que, da vossa parte, não são ditadas pela curiosidade, mas simplesmente formuladas no intuito de ampliar o ensino. Visto que disponho de liberdade, vou, portanto, dizer-vos, o mais laconicamente possível, quais as causas determinantes da minha última existência.
REIFaz muitos séculos, vivia eu com o título de rei, ou, pelo menos, de príncipe soberano. Dentro da esfera do meu poder relativamente limitado, em confronto com os atuais Estados, era eu, no entanto, absoluto senhor dos meus vassalos, como dos seus destinos, e governava-os tiranicamente, ou antes — digamos o próprio termo — como algoz.
Dotado de caráter impetuoso, violento, além de avaro e sensual, podeis avaliar qual deveria ter sido a sorte dos pobres seres sujeitos ao meu domínio. Além de abusar do poder para oprimir o fraco, eu subordinava empregos, trabalhos e dores ao serviço das próprias paixões. Assim, impunha uma dízima ao produto da mendicidade, e ninguém poderia acumular sem que eu antecipadamente lhe tomasse uma cota avultada, dessas sobras que a piedade humana deixava resvalar para as sacolas da miséria.
E mais ainda: — a fim de que não decrescesse o número de mendigos entre os meus vassalos, proibia aos infelizes darem aos amigos, parentes e fâmulos necessitados a parte insignificante do que ainda lhes restava. Em uma palavra, fui tudo quanto se pode imaginar de mais cruel, em relação ao sofrimento e à miséria alheia. No meio de sofrimentos horrorosos, acabei por perder isso a que chamais — vida, tanto que minha morte era apontada como exemplo aterrador a quantos como eu, posto que em menor escala, tinham o mesmo modo de pensar.
Como Espírito, permaneci na erraticidade durante três e meio séculos, e, quando ao fim desse tempo compreendi que a razão de ser da reencarnação era inteiramente outra que não a seguida por meus grosseiros sentidos, obtive à força de preces, de resignação e de pesares a permissão de suportar materialmente os mesmos sofrimentos que infligira, e mais profundamente sensíveis que os por mim ocasionados. Obtida a permissão, Deus concedeu que por meu livre-arbítrio aumentasse os sofrimentos físicos e morais. Graças à assistência dos bons Espíritos, persisti na prática do bem, e sou-lhes agradecido por me terem impedido de sucumbir sob o fardo que tomara. Finalmente, preenchi uma existência de abnegação e caridade, que por si resgatou as faltas de outra, cruel e injusta. Nascido de pais pobres e cedo orfanado, aprendi a ganhar o pão numa idade em que muitos consideram incapaz o raciocínio.
Vivi sozinho, sem amor, sem afeições, e desde o princípio suportei as brutalidades que para com outros havia exercido.
Dizem que as somas por mim esmoladas foram todas destinadas ao alívio dos meus semelhantes: — É um fato inconcusso, ao qual, sem orgulho nem ênfase, devo acrescentar que — muitíssimas vezes, com sacrifício de privações relativamente imperiosas, aumentava o benefício que me permitiam fazer à caridade pública. Desencarnei calmamente, confiando no valor da minha reparação, e sou premiado muito mais do que poderiam ter cogitado as minhas secretas aspirações. Hoje sou feliz, felicíssimo, podendo afirmar-vos que todos quantos se elevam serão humilhados, como elevados serão todos quantos se humilharem.
— P. Tende a bondade de dizer-nos em que consistiu a vossa expiação no mundo espiritual, e quanto tempo durou, a contar da vossa morte até ao momento da atenuação por efeito do arrependimento e das boas resoluções. Dizei-nos também o que foi que provocou a mudança das vossas idéias, no estado espiritual.
— R. Essa pergunta desperta-me muitas recordações dolorosas! Quanto sofri eu... Mas não, que me não lamento: — apenas recordo!... Quereis saber a natureza da minha expiação? Pois ei-la na sua terrível hediondez:
TiranoCarrasco que fui de todos os bons sentimentos, fiquei por muito, por longo tempo preso pelo perispírito ao corpo em decomposição. Até que esta se completasse, vi-me corroído pelos vermes — o que muito me torturava! e quando me vi liberto das peias que me prendiam ao instrumento do suplício, mais cruel suplício me esperava!...
Depois do sofrimento físico, o sofrimento moral muito mais longo. Fui colocado em presença de todas as minhas vítimas. Periodicamente, constrangido por uma força superior, era eu levado a rever o quadro vivo dos meus crimes. E via física e moralmente todas as dores que a outrem fizera sofrer! Ah! meus amigos, que terrível é a visão constante daqueles a quem fizemos mal! Entre vós, tendes apenas um fraco exemplo no confronto do acusado com a sua vítima. Aí tendes, em resumo, o que sofri durante três e meio séculos, até que Deus, compadecido da minha dor e tocado pelo meu arrependimento, solicitado pelos que me assistiam, permitisse a vida de expiação que conheceis.
— P. Algum motivo particular vos induziu à escolha da última existência, subordinada à religião israelita?
— R. Não escolhi por mim só, mas ouvi o conselho dos meus guias. A religião de Israel era uma pequena humilhação a mais na minha prova, visto como em certos países a maioria dos encarnados menosprezam os judeus, e principalmente os judeus mendicantes.
— P. Na Terra, com que idade começastes a vossa obra de expiação? Como vos ocorreu o pensamento de vos desobrigar das resoluções previamente tomadas? Ao exercerdes tão abnegadamente a caridade, teríeis a intuição das causas que a isso vos predispunham?
— R. Meus pais eram pobres, porém inteligentes e avaros. Moço ainda, eu fui privado da afeição e carinhos de minha mãe. A perda desta me causou tanto maior e fundo pesar, quanto meu pai, dominado pela avidez de ganhos, me abandonava por completo. Quanto aos meus irmãos, todos mais velhos do que eu, não pareciam aperceber-se das minhas mágoas. Foi um outro judeu quem, movido por sentimento mais egoístico do que caritativo, me recolheu em sua casa e me ensinou a trabalhar. O que isso lhe custara era largamente compensado pelo meu trabalho, aliás excedente muitas vezes às minhas forças. Mais tarde, liberto desse jugo, trabalhei por minha conta; mas em toda parte, no trabalho como no repouso, perseguia-me a saudade de minha mãe, e, à medida que avançava em anos, a lembrança desse ser mais fundamente se me gravara na memória, lamentando em demasia a perda do seu amor e do seu zelo. Não tardou fosse eu o único dos meus, pois a morte em breve, dentro de meses, ceifou-me toda a família. Então, principiou a manifestar-se-me o modo pelo qual havia de passar o resto da vida. Dois dos meus irmãos deixaram órfãos, e eu, comovido pela recordação do que como órfão sofrera, quis preservar os pobrezinhos de uma juventude igual à minha.
Não produzindo o meu trabalho o suficiente para sustentá-los a todos, comecei a pedir esmola, não para mim, mas para outros. A Deus não aprazia visse eu o resultado, a consolação dos meus esforços, e assim foi que também os pobrezinhos me deixaram para sempre.
Eu bem via o que lhes faltava — era a mãe. Resolvi, pois, pedir para as viúvas infelizes que, sem poderem trabalhar para si e seus filhinhos, se impunham privações fatais, que acabavam por matá-las, legando ao mundo pobres órfãos abandonados e votados aos tormentos que eu mesmo suportara.
MoedasA esse tempo contava eu 30 anos, e nessa idade, saudável e vigoroso, viram-me pedir para a viúva e para o órfão. Penosos me foram os primeiros passos, a suportar mais de um epíteto deprimente; quando, porém, se certificaram de que eu realmente distribuía pelos pobres o que recebia; quando souberam que a essa distribuição ainda ajuntava as sobras do meu trabalho; então, adquiri certo conceito que não deixava de me ser grato.
Durante os 60 e alguns anos dessa peregrinação terrena, nunca deixei de atender à tarefa que me impusera. Também jamais a consciência me fez sentir que causas anteriores à existência fossem o móbil do meu proceder. Um dia somente, e antes de começar a pedir, ouvi estas palavras:
“Não façais a outrem o que não quiserdes que vos façam.”
Surpreendido pelos princípios gerais de moralidade contidos nessas poucas palavras, muitas vezes parecia-me ouvi-las acrescidas com estas outras: — “Mas fazei, ao contrário, o que quiserdes que vos façam.” Tendo por auxiliares a lembrança de minha mãe e dos meus próprios sofrimentos, continuei a trilhar uma senda que a minha consciência dizia ser boa.
Vou terminar esta longa comunicação, dizendo: — Obrigado!
Imperfeito ainda, sei, contudo, que o mal só acarreta o mal, e de novo, como já o fiz, dedicar-me-ei ao bem para alcançar a felicidade.
Szymel Slizgol.

PELA PAZ INTERIOR Francisco C. Xavier.

Caminhávamos para o nosso encontro espiritual, em companhia de diversos confrades, comentando as atitudes aparentemente inexpressivas (mas muito importantes para a nossa tranquilidade e segurança) que somos quase forçados a tomar, no cotidiano, para garantir a nossa paz interior. Companheiros falavam de pequeninos gestos de irritação que se degeneram na via publica em grandes conflitos. Outros falavam de incompreensões julgadas quase imperceptíveis que se transformam em dolorosos dramas domésticos e sociais.
Logo após, reunidos em prece, O Evangelho Segundo o Espiritismo nos deu a estudo o item 7 do seu capítulo X. Alguns irmãos destacaram a oportunidade do tema. E, ao término da reunião, foi o nosso amigo André Luiz quem compareceu, relacionando tópicos de paz e segurança para a nossa vida diária.

ANOTE HOJE
André Luiz

Anote quanto auxílio poderá você prestar ainda hoje.
Em casa, pense no valor desse ou daquele gesto de cooperação e carinho.
No relacionamento comum, faça a gentileza que alguém esteja aguardando conforme a sua palavra.
No grupo de trabalho, ouça com bondade a frase menos feliz sem passá-la adiante.
Ofereça apoio e compreensão ao colega em dificuldade.
Estimule o serviço com expressões de louvor.
Quando puder, procure resolver os problemas sem alardear seu esforço.
Em qualquer lugar, pratique a boa influência.
Desculpe falhas alheias, consciente de que você também pode errar.
Observe quanto auxílio poderá você desenvolver ao trânsito, respeitando sinais.
Acrescente paz e reconforto à dádiva que fizer.
Evite gritar para não chocar a quem ouve.
Pague a sua pequena prestação de serviço à comunidade, conservando a limpeza onde passe.
Sobretudo mostre simpatia e reconhecerá que o seu sorriso, em favor dos outros, é sempre uma chave de luz para que você encontre novas bênçãos de Deus.

Do livro Amanhece. Psicografia de Chico Xavier.