sábado, 30 de novembro de 2013

Cura Espiritual - Chico Xavier - André Luiz

 

Comece orando.
A prece é a luz na sombra em que a doença se instala.
Semeie alegria.
A esperança é alegria no coração.
Fuja da impaciência.
Toda irritação é desastre magnético de consequências imprevisíveis.
Guarde confiança.
A dúvida deita raios de morte.
Não critique.
A censura é choque nos agentes da afinidade.
Conserve brandura.
A palavra agressiva prende o trabalho na estaca zero.
Não se escandalize.
O corpo de quem sofre é objeto sagrado.
Ajude espontaneamente para o bem.
Simpatia é cooperação.
Não cultive os desafetos.
Aversão é calamidade vibratória.
Interprete o doente qual se fosse você mesmo.
Toda cura espiritual lança raízes sobre a força do amor.

Chico Xavier - André Luiz

Bom dia com Emmanuel - Esperança Constante

O Pessimismo é uma espécie de taxa pesada e desnecessária sobre o zelo que a responsabilidade nos impões, induzindo-nos à aflição inútil.

Atenção, sim.

Derrotismo, não.

Para que nos livremos de semelhante flagelo, no campo íntimo, é aconselhável desfixar o pensamento, muitas vezes, colado a detalhes ainda sombrios da estrada evolutiva.

Para que se sustente desperto o entendimento, quanto à essa verdade, recordemos as bênçãos que excedem largamente às nossas pequenas e transitórias dificuldades.

É inegável que o materialismo passou a dominar muita gente, perante o avanço tecnológico da atualidade terrestre; contudo, existem admiráveis multidões de criaturas, e cujos corações a fé se irradia por facho resplendente, iluminando a construção do mundo novo.

As enfermidades ainda apresentam quadros tristes nos agrupamentos humanos; no entanto, é justo considerar que a ciência já liquidou várias moléstias, dantes julgadas irreversíveis, anulando-lhes o perigo com a imunização e com as providências adequadas.

Destacam-se muitos empreiteiros da guerra, tumultuando coletividades; todavia, os obreiros da paz se movimentam em todas as direções.

Muitos lares se desorganizam; mas outros muitos se sustentam consolidados no equilíbrio e na educação, mantendo a segurança entre os homens.

Grande número de mulheres se ausentam da maternidade; entretanto, legiões de irmãs abnegadas se revelam fiéis ao mais elevado trabalho feminino ao Planeta, guardando-se na condição de mães admiráveis no devotamento ao grupo doméstico.

Os processos de violência aumenta, quase que em toda parte; ampliam-se, porém as frentes de amor ao próximo que os extinguem.

Anotando as tribulações que se desdobram no Plano Físico, não digas que o mundo está perdido.

Enumera as bênçãos de Deus que enxameiam, em torno de ti.

E se atravessas regiões de trevas, que se te afiguram túneis de sofrimento e desolação, nos quais centenas ou milhares de pessoas perderam a noção da luz, é natural que não consigas transformar-te num sol que flameje no caminho para todos, mas podes claramente acender um fósforo de esperança.
Livro: Atenção 
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier 
Fonte: EB - Postado por Nilza Garcia


Boa tarde com Emmanuel - Felicidade

 
Sábios existem que asseveram não ser a felicidade deste mundo, mas isso não quer dizer que a felicidade não seja do homem.

E sabendo nós outros que há diversos tipos de contentamento na Terra, não podemos ignorar que há um júbilo cristão, do qual não será lícito esquecer em tempo algum.

A alegria da mente ignorante que se mergulhou nos despenhadeiros do crime, reside na execução do mal, ao passo que a satisfação do homem esclarecido, jaz no dever bem desempenhado, no coração enobrecido e na reta consciência.

Não olvidemos que se o Reino do Senhor ainda não é deste mundo,nossa alma pode, desde agora, ingressar nesse Divino Reino e aí encontrar a aventura sem mácula do amor vitorioso sob a inspiração do Celeste Amigo.

A felicidade do discípulo de Jesus brilha em toda parte, introduzindo-nos à Benção Maior.
É a benção de auxiliar.
A construção da simpatia fraterna.
A oportunidade de sofrer pela própria santificação.
O ensejo de aprender para progredir na Eternidade.
A riqueza do trabalho.
A alegria de servir, não só com o dinheiro farto ou com a autoridade respeitável de Terra, mas também com o sorriso de entendimento, com o pão da boa vontade ou com o agasalho ao doente e à criança.

A felicidade, portanto, se ainda não é deste mundo, já pode residir no espírito que realmente a procura na alegria de dar de si mesmo, de sacrificar-se pelo bem comum e de auxiliar a todos, quando Jesus soube, amando e servindo, subir do madeiro sanguinolento aos esplendores da Eterna Ressurreição.
(Do livro "Servidores no Além", Emmanuel, F.C Xavier)

Fonte: EB - Postado por Nilza Garcia

Oração pelos Entes Queridos - Chico Xavier


Senhor Jesus, concedeste-nos os entes queridos por tesouros que nos emprestas.
Ensina-nos a considerá-los e aceitá-los em sua verdadeira condição de filhos de Deus, tanto quanto nós, com necessidades e esperanças semelhantes às nossas.

Faze-nos, porém, observar que aspiram a gêneros de felicidade diferente da nossa e auxilia-nos a não lhes violentar o sentimento em nome do amor, no propósito inconsciente de escravizá-los aos nossos pontos de vista.
Quando tristes trasforma-nos em bênçãos capazes de apoiá-los na restauração da própria segurança; e quando alegres ou triunfantes nos ideais que abraçam não nos deixes na sombra do egoísmo ou da inveja, mas sim, ilumina-nos o entendimento para que lhe saibamos acrescentar a paz e a esperança.
Conserva-nos no respeito que lhes devemos, sem exigir-lhes testemunhos de afeto ou de apreço em desacordo com os recursos de que dispunham.
Auxilia-nos a ser gratos pelo bem que nos façam, sem reclamar-lhes benefícios, ou vantagens, homenagens, ou gratificações que não nos possam proporcionar.
Esclarece-nos para que lhes vejamos unicamente as qualidades, ajudando-nos a nos determos nisso entendendo que os prováveis defeitos de que se mostrem ainda portadores desaparecerão no amparo de Tua benção.

E, se algum dia, viermos a surpreender alguns deles em experiências menos felizes, dá-nos a força de compreender que não será reprovando ou condenando que lhes conquistaremos os corações, e sim, entregando-os a Ti através da oração porque apenas tu, Senhor, podes sondar o íntimo de nossas almas e guiar-nos o passo para o reequilíbrio nas leis abençoadas de Deus.
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Fonte: ME

domingo, 17 de novembro de 2013

Biógrafo de Allan Kardec faz sessão de autógrafo e bate-papo na Feira

Em entrevista, Marcel Souto Maior fala sobre seu processo de pesquisa

Biógrafo de Allan Kardec faz sessão de autógrafo e bate-papo na Feira Record/Divulgação
Uma das maiores apostas editoriais para este final de ano ganha lançamento na Feira do Livro. Kardec - A Biografia, do jornalista Marcel Souto Maior, terá sessão de autógrafos nesta sexta-feira, às 18h30min, no momento em que o livro já soma 45 mil exemplares vendidos em menos de um mês.
Antes do lançamento, o autor participa de um bate-papo com o público nesta sexta-feira às 18h30min, no Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. A obra teve uma tiragem inicial de 100 mil exemplares - e uma segunda edição já está sendo preparada. São números que dimensionam os 5 milhões de brasileiros que se dizem espíritas no país - além dos cerca de 30 milhões de simpatizantes.
Até se tornar o codificador e divulgador da doutrina espírita, Allan Kardec (1804 - 1869) era conhecido como Hippolyte Léon Denizard Rivail, professor e autor de livros pedagógicos na França do século 19. Inicialmente cético, ele queria provar se fatos acontecidos na Europa e nos Estados Unidos eram fraude ou não. Sua vida se transformou drasticamente quando comprovou que os espíritos estavam se comunicando com os vivos - e que tinham uma missão para ele. Queriam que o professor escrevesse sobre a doutrina espírita e a divulgasse amplamente. Aos 53 anos, ele então mudou de nome para assinar O Livro dos Espíritos, obra inicial e fundamental do espiritismo.
Ao mesmo tempo em que figura entre os livros mais vendidos do país, a biografia de Kardec já está prevista para ganhar versão no cinema. O diretor será Wagner de Assis, o mesmo que assinou o sucesso Nosso Lar. A previsão é que as filmagens comecem em 2014. Quem está cotado para viver Kardec é Tony Ramos, mas ainda falta confirmação.
Na entrevista a seguir, Souto Maior fala um pouco sobre a produção de seu novo livro e do impacto do espiritismo em sua vida.
Zero Hora - Como foi a pesquisa para a biografia de Kardec?
Marcel Souto Maior - Desde que comecei a pesquisar a vida de Chico Xavier, há 20 anos, mergulhei na obra de Kardec. A biografia dele é a história da conversão do incrédulo em missionário. Fui a Paris quatro vezes visitar os locais por onde ele passou e resgatar matérias de jornais e revistas nos arquivos da Biblioteca Nacional da França. Estudei também a Revista Espírita, escrita por Kardec quase que solitariamente, mês a mês, ao longo de 12 anos.
ZH - No livro, você descreve que Kardec foi avisado pelos espíritos de que era preciso ainda reencarnar em outro corpo para completar o trabalho. Sua pesquisa identificou algo que possa comprovar que Chico Xavier seria e reencarnação de Kardec, como acreditam muitos espíritas? 
Souto Maior De concreto mesmo, só uma convicção: o médium mineiro é o principal discípulo do professor francês. Chico viveu para pôr em prática as lições difundidas por Kardec. Ele seguia à risca as principais orientações do "Codificador". Neste sentido, ele foi sim uma espécie de "reencarnação" de Kardec, no sentido prático, de trabalho incansável, obstinado, em favor do outro.
ZH - Depois de escrever sobre Chico Xavier e Kardec, assistir a sessões espíritas e comprovar a autenticidade de cartas psicografadas, você acredita no espiritismo?Souto Maior - Acredito 100% no espiritismo quando segue um dos principais lemas de Kardec: "Fora da caridade, não há salvação". O espiritismo solidário, que faz diferença na vida de tanta gente - e que salva tantas vidas também -, me impressiona. Tenho uma mesma preocupação de Kardec: ele sempre cobrou muito cuidado dos médiuns, para que não misturassem a mediunidade com ganhos financeiros e que evitassem vaidade e ambição.
ZH - Como você pratica o espiritismo?Souto Maior - Não frequento centros espíritas, mas o espiritismo aumentou a minha responsabilidade diante do tempo e da vida. Aprendi que devo fazer o melhor possível todos os dias e, principalmente, a viver com o necessário. Parei de correr atrás de coisas que não precisava. Fiquei mais responsável e sensato.
ZH - Você recebeu, por meio de uma carta psicografada, a missão de divulgar a obra de Chico Xavier. Como isso influenciou a sua vida pessoal e profissional?
Souto Maior - Continuo a trabalhar como diretor e roteirista na TV Globo e tento manter sempre o máximo de objetividade - e de imparcialidade - quando pesquiso e escrevo sobre Chico, Kardec e o intercâmbio entre "vivos" e "mortos". Mas não dá pra negar que, nestes 20 anos de pesquisa, meu ceticismo e minha fé foram abalados algumas vezes. Hoje acredito mais do que há duas décadas, uma conquista para quem era um cético absoluto.
Fonte: zero hora

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Pega Ladrão!

Justiça Divina - Chico Xavier/Emmanuel (FEB).
Objetivo: estudo de questões do livro O Céu e o Inferno (CI) de Allan Kardec.
Roteiro: Meditação - Leitura da Questão - Curiosidades.
(Meditação sobre o capítulo 03-Não furtar)
Reunião pública de 27-1-61
CI – 1a Parte - Cap. VI – Item 24.

Em 2006, muito foi comentado sobre a mulher condenada a 4 anos de cadeia por roubar um pote de manteiga no valor de 3,20 em S.Paulo.
Isso dispara nossa indignação!
Tantos crimes habilmente formulados, onde milhões são desviados da merenda escolar, da saúde pública, dos cofres do Governo e ninguém nunca vai preso.
Ela roubou apenas um pote de manteiga !!!!
Eu não roubaria. Você certamente não o faria também.
Claro, nós estamos impregnados com o 8o. Mandamento:
-Não furtarás!
Nessa meditação, porém, Emmanuel nos adverte sobre possíveis furtos que cometemos e que não atentamos para a gravidade deles.
Furtamos esperanças e entusiasmos quando aqueles companheiros, dedicados ao bem, nos ouvem falar de nossas amarguras, de nosso desânimo, das decepções que vivenciamos e que, ao falar nelas, apenas reforçamos o poder do mal.
Mas nós devolveríamos qualquer moeda que alguém perdesse.
Roubamos o bem moral alheio quando levantamos aquele comentário infeliz, do qual não temos certeza e nem nos preocupamos em questionar ao próprio personagem sobre a veracidade, mas que não hesitamos repetir em surdina para os amigos. Assalto com mão armada pela calúnia e pela maledicência.
Contudo, nunca tomaríamos um imóvel, de alguém.
Ah, isso não!
Surripiamos a confiança dos outros quando traímos a palavra firmada em pequenos assuntos. Quando damos provas de que não se deve confiar em ninguém, quando argumentamos que a humanidade não é digna de confiança.
Entretanto, jamais levaríamos um objeto sequer da casa que nos recebe.
Assaltamos alegrias, harmonias e horas de paz quando destruímos, impiedosamente, a concórdia e o entendimento das pessoas. Quando “lançamos espalhando” nossas misérias interiores no ambiente que nos ouve, dividindo as pessoas presentes.
Mas ficaríamos estupefatos se fôssemos chamados de ladrões. Isso nunca! Calúnia e difamação com causa ganha!
Não furtarás.” - diz a Lei Divina.
É preciso, porém, não furtar nem os recursos do corpo, nem os bens da alma, pois que a consequência de todo furto é prevista na Lei.” (Emmanuel)
E você?
Seria capaz de roubar algo?

Fonte: EB - Postado por Inacio Queiroz



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Memorial Chico Xavier entra em fase final de construção em Uberaba

Licitação é requerida para conclusão da obra.
Além de reunir acervo do médium, local será ponto de encontro espírita.

Local vai abrigar história do médium (Foto: Reprodução/TV Integração)
Com mais da metade da obra concluída, o Memorial Chico Xavier em Uberaba prepara uma nova licitação para finalizar a construção que abrigará parte da história do líder espírita. As empresas interessadas terão que disputar o contrato, em licitação na Prefeitura, até dezembro. A expectativa é que até o meio do ano que vem, o memorial seja aberto ao público.

A obra dura quase três anos e já foram investidos R$ 2 milhões. De acordo com o presidente do Memorial Chico Xavier, Adalberto Pagliaro, 80% da parte de engenharia está concluída. Para terminar os 20% restantes, será contratada outra empresa.
“A metodologia de construção civil hoje no Brasil, feita via Caixa Econômica Federal, tem um cronograma que trabalha por lotes ou por etapas. Então por isso a obra foi fragmentada em etapas, para podermos ter condições de atender a demanda e a filosofia que a Caixa implementa em obras públicas”, explicou.
Na próxima etapa da obra serão feitos o estacionamento e a rampa que vai ligar os dois prédios já construídos. A cobertura do anfiteatro e toda a parte de acabamento do memorial também farão parte das obras. Serão gastos mais de R$ 1 milhão na próxima fase, disponibilizados pelo Ministério do Turismo.
Obras de Chico Xavier continuam vivas por meio dos seguidores (Foto: Reprodução/TV Integração)Obras de Chico Xavier continuam vivas por meio
dos seguidores (Foto: Reprodução/TV Integração)
Acervo histórico
Uma galeria onde ficarão algumas das 400 obras de Chico Xavier, segundo a direção do memorial, deverá ser aberta que até o meio do ano que vem.
“Quem tiver fotos, mensagens e qualquer outro material, pode fornecer para o memorial uma cópia digitalizada, para podermos contextualizar a história do Chico. Sabemos que há muito material espalhado pelo mundo, como na França, Austrália, Estados Unidos, Espanha e Portugal. Estamos tentando trazer essa coletânea para nós. Na inauguração, creio que não vamos conseguir colocar 100% do que o Chico fez, mas podemos ter 65% no memorial”, ressaltou Adalberto.

O memorial tem arquitetura moderna e teto de vidro. Além de exposições com obras do médium, um espaço deverá se tornar ponto de encontro de grupos espíritas de todo o país. Quem quiser enviar alguma obra do médium pode entrar em contato pelo telefone (34) 3312-7162.
“É uma obra grandiosa, representa a história do nosso baluarte, que é do Chico. Creio que vencendo essas etapas da construção, tenho certeza que vamos concluir, apesar do início do processo eleitoral”, concluiu Adalberto.
Fonte: G1

Oração de Chico Xavier

Que eu continue a acreditar no outro mesmo sabendo de alguns valores tão esquisitos que permeiam o mundo;

Que eu continue otimista, mesmo sabendo que o futuro que nos espera nem sempre é tão alegre;

Que eu continue com a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida;

Que eu permaneça com a vontade de ter grandes amigos(as), mesmo sabendo que com as voltas do mundo, eles(as) vão indo embora de nossas vidas;

Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, sentir, entender ou utilizar esta ajuda;Que eu mantenha meu equilíbrio, mesmo sabendo que os desafios são inúmeros ao longo do caminho;

Que eu exteriorize a vontade de amar, entendendo que amar não é sentimento de posse, é sentimento de doação; Que eu sustente a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo, escurecem meus olhos;

Que eu retroalimente minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto o sucesso e a alegria;

Que eu atenda sempre mais à minha intuição, que sinaliza o que de mais autêntico possuo; Que eu pratique sempre mais o sentimento de justiça, mesmo em meio à turbulência dos interesses;

Que eu não perca o meu forte abraço, e o distribua sempre;

Que eu perpetue a beleza e o brilho de ver, mesmo sabendo que as lágrimas também brotam dos meus olhos;

Que eu manifeste o amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exige muito para manter sua harmonia;

Que eu acalente a vontade de ser grande, mesmo sabendo que minha parcela de contribuição no mundo é pequena; E, acima de tudo...Que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte desta maravilhosa teia chamada vida, criada por alguém bem superior a todos nós!E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e, sim, nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós!

Chico Xavier

Fonte: ME

Chico Xavier - A história de Valéria - Emocionante

 
Por volta de 1953 até 1959, quando mudamos para Uberaba, nós sempre, desde muitos anos, fazíamos assistência, uma assistência carinhosa de levar uma oração ou a expressão de fraternidade a doentes, a necessitados, quando uma senhora nos pediu para visitar a irmã dela, que tinha se tornado hemiplégica e muda.
A moça tinha uns 40 anos, chamava-se Valéria.
Então, fomos a primeira vez; nós fazíamos, sempre aos sábados, nossas visitas.
Íamos visitar Valéria, levávamos um pedaço de bolo, algumas balas. Isso que se dá a uma criança, porque a gente não podia fazer mais, mas visitávamos Valéria com muito carinho; eram diversas casas e ela, Valéria, estava numa delas. A irmã dela chamava-se D. Laura.
A casa se erguia num lugar onde, em Pedro Leopoldo, se construiu o recinto das exposições pecuárias; eu estou explicando, porque alguém na minha cidade poderá perguntar onde estava esta casa; estava no lugar onde está hoje o recinto das exposições pecuárias.
Então, todos os sábados, durante uns seis anos, visitávamos Valéria e levávamos uma prece, e ela guardava um pedaço de bolo debaixo do travesseiro. A irmã dela, a dona da casa, muito distinta, muito amiga, nos recebia com muito carinho.
Num sábado, eu fazia a prece; no outro sábado, outro amigo fazia a prece; no outro, uma senhora fazia a prece, e, assim, estávamos há uns seis anos, quando Valéria foi acometida por uma gripe pneumônica muito sé-ria e D. Laura chamou um médico e o médico avisou que ela estava às portas de uma pneumonia, e a pneumonia se manifestou.
A pneumonia se manifestou, e nós chegamos no sábado. Ela estava muito abatida e, todas as vezes que nós íamos, eu falava:
— Valéria, agora você fala Deus! (Ela lutava muito para falar, porque ela entendia tudo, mas não conseguia).
Eu falava assim:
— Jesus, Valéria!
Ela fazia força, mas a língua enrolava e ela não conseguia; isso se repetiu mais de seis anos, mas, neste sábado, a pneumonia...
Eu falei:
— D. Laura, ela está com febre muito alta, o que diz o médico?
— Bem, o médico, que está tratando, já deu bastantes antibióticos, e ela está bem medicada.
E eu falei assim:
— Está bem, agora, ao invés de virmos aos sábados, viremos todos os dias.
E ela sempre piorando. Então, num sábado, no último sábado, depois que fizemos a prece, eu falei:
— Valéria, fala Jesus, fala Deus!
E ela: ã, ã, ã, ã, ã, mas não falava. Eu falei:
— Valéria, Jesus andou no mundo, curou tanta gente, tantos iam buscá-lo nas estradas, na casa onde ele permanecia, e pediam a ele a graça da melhora, da cura e foram curados.
— Lembre-se de Jesus andando e você caminhando, embora você não esteja caminhando há tantos anos, lembre-se de você caminhando e chegando aos pés dele e dizendo: Jesus! Fale Jesus!
Aí ela falou:
— Josusu, Josusu!
Eu falei:
— Meu Deus, mas que alegria, Valéria falou o nome de Jesus, que coisa maravilhosa! D. Laura, venha cá para a senhora ver!
Ela com muita febre, mas ficou satisfeita falando:
— Josusu! Josusu!
E não me esqueço daquele nome vibrando nos meus ouvidos. Eu falei:
— Ela vai melhorar, ela está falando Jesus, D. Laura.
Nós todos muito alegres, ela sorrindo, mas desinteressada do bolo que tínhamos levado, a febre muito alta.
Eu falei:
— Valéria, repete, eu estou tão interessado de ver você falar o nome de Jesus. Fale Jesus, Jesus!
— Josusu, Josusu!
Mas dando todas as forças. Aí, eu disse:
— Se Deus quiser, ela está muito melhor.
Mas, no outro dia de manhã, chegou a notícia de D. Laura de que Valéria tinha falecido pela manhã, tinha desencarnado.
Fomos para lá, e tal, e lembramos muito aquela amiga que estava partindo. Comoveu-nos muito e sofremos bastante, porque ela era muito, era muito querida, uma criatura que não falava, mas tinha gestos extraordinários.
Mas os anos rolaram, os anos passaram, e eu mudei para Uberaba e, em 1976, fui vítima de um enfarte, enfarte que me levou ao médico, que me hospitalizou em casa.
Disse-me assim:
— Não, você pode conturbar o ambiente do hospital com visitas, é melhor você ficar hospitalizado em casa, a porta do quarto ficará com acesso apenas a esta senhora, que é enfermeira.
É uma senhora, que está conosco, de nome D. Dinorá Fabiano.
Então, D. Dinorá era a única pessoa que entrava, para eu ficar 20 dias mais ou menos imóvel e eu fiquei, mas isso não impedia que os espíritos me visitassem e, então, muitos amigos desencarnados de Pedro Leopoldo, de Uberaba, entravam assim à tarde ou à noite e eu conversava em voz alta.
E eu falei:
— D. Dinorá, quando a senhora me encontrar falando sozinho, a senhora não se impressione, eu estou conversando com alguém.
Ela falou:
— Não, eu compreendo, eu compreendo.
Ficou naquilo, não é?
E uma tarde entrou uma moça muito bonita (no quarto havia sempre uma cadeira perto da cama).
Ela entrou, eu falei em voz alta:
— Pode fazer o favor de sentar.
Ela falou:
— Você não está me conhecendo?
Eu respondi:
— Olha, a senhora vai me perdoar, eu tenho andado doente com problemas circulatórios e eu estou com a memória estragada e eu não estou me lembrando.
Mas era um desculpa, era porque eu não estava reconhecendo mesmo.
Então, ela falou assim:
— Mas nós somos amigos, eu quero tão bem a você.
Era uma moça morena, muito bonita; aí eu falei:
— Olha, eu não posso assim de momento fazer muito esforço de memória, porque o médico me recomendou repouso mental. Minha senhora, faça o favor de dizer o nome.
Ela falou assim:
— Não, eu não vou dizer, eu quero ver se você lembra; eu sou uma de suas amizades de Pedro Leopoldo.
Eu falei assim:
— Então, a senhora pode falar; se a senhora falar Maria ou Alice, eu conheço tantas. Então fale o sobrenome da família, porque pela família eu vou saber.
Ela falou assim:
— Não, eu não vou falar, eu vou falar um nome só; quando eu falar, você vai lembrar quem é que eu sou.
Eu falei:
— Então, a senhora faz o favor, fale o nome, o nome que a senhora quer falar e ela foi e falou assim:
— Josusu!
Eu disse:
— Meu Deus, é a Valéria! Meu Deus, Valéria, como você está bonita! Eu não mereço a sua visita.
Ela disse:
— Mas eu vim lembrar os nossos sábados, em que nós orávamos tanto. Eu me lembrei da última palavra e eu vim te trazer confiança em Jesus.
(Chico relata o episódio muito emocionado).
Pôs a mão no meu peito e a dor desapareceu.
Então, isso para mim, eu acho que o nome de Jesus é tão grande, é tão grande, que remove os nossos obstáculos orgânicos.
Eu estou com uma angina que ficou como sendo uma herança do enfarte, mas uma angina muito bem controlada. Eu sigo as instruções médicas, as instruções dos amigos espirituais, me abstenho de tudo aquilo que não posso usufruir, de modo que eu, graças a Deus, estou, vamos dizer, estou doente, mas estou são. Se alguém puder compreender...

Fonte: ME

‘Aqueles que amamos não morrem jamais, apenas partem antes de nós’. (Chico Xavier)

Os que rumaram para outros caminhos, além das fronteiras que marcam a desencarnação, também lutam, amam, sofrem e se renovam

Credito:
Na Terra, quando perdemos a companhia de seres amados ante a visitação da morte, sentimo-nos como se arrancassem o coração para que se faça alvejado fora do peito. Ânsia de rever sorrisos que se extinguiram, fome de escutar palavras que emudeceram. E bastas vezes, tudo o que nos resta nomundo íntimo é um veio de lágrimas estanques, sem vazio te atormenta o espírito, as serena-te e ora,desejando a paz e a segurança dos entes inesquecíveis que te antecederam na Vida Maior. Lembra a criatura querida que não mais te compartilha as experiências no plano físico, não por pessoa que desapareceu para sempre, e sim a feição de criatura invisível, mas não de todo ausente. 
Os que rumaram para outros caminhos, além das fronteiras que marcam a desencarnação, também lutam, amam, sofrem e se renovam. Enfeita-lhes a memória com as melhores lembranças que consigas enfileirar e busca tranquiliza-los com o apoio de tua conformidade e teu amor. Se te deixar vencer pela angústia, ao recordar-lhes a imagem, sempre que se vejam em sintonia mental contigo: ei-los que suportam angústia maior de vez que passam a carregar aflições sobretaxadas com as tuas.
 Compadece-te dos entes amados que te precederam na romagem da Grande Renovação. Chora, quando não possas evitar o pranto que se te derrama da alma. No entanto, converte quando possível às próprias lágrimas em bênçãos de trabalho e preces de esperança. Assim, eles todos te ouvem o coração na Vida Superior, sequiosos de se reunirem contigo para o reencontro no trabalho do próprio aperfeiçoamento, à procura do amor de Deus. 
* Emmanuel - Mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier.  Algumas citações dessa passagem...A velhice honrada não consiste em vida longa nem se mede pelo número dos anos. (Sabedoria 3.vers.8) Ó morte, quão amarga é tua lembrança para o homem que vive em paz entre teus bens. (Eclesiástico 41.1) Não temas a sentença da morte: lembra-te dos que te precederam e dos que te seguirão
Fonte: tnonline

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Nelson Xavier: a vida é (sempre) bela

Um passeio pelas memórias do ator Nelson Xavier, artista que, a partir de um diagnóstico de câncer e de um encontro com o médium Chico Xavier, mudou a forma de entender (e viver) a vida.

Nelson Xavier, de 72 anos, sofreu uma mudança de vida ao entrar em contato com a figura do médium brasileiro Chico Xavier – a quem interpretou no cinema. Nas próprias palavras, é hoje menos arrogante; mais sereno. Da última vez em que esteve em Fortaleza, quando transcorreu a conversa a seguir, veio apresentar o monólogo-depoimento A Vida é Sempre Bela, que se tornou para ele uma forma de agradecer o que chamou de “presente”.

Se essas modificações se seguiram de um lado, um sentido de permanência atuou de outro. Assim, ele continua paradoxalmente igual. Cultiva algumas ideias que tinha na juventude. Acha que o homem só será feliz com o fim da propriedade privada; lembra com entusiasmo iniciativas de educação popular. Não é religioso.

Como ator, Nelson percorreu caminhos no teatro, cinema e televisão. Curiosamente, nunca quis atuar. A vontade inicial era escrever e dirigir filmes. Mas a vida é um fluxo traiçoeiro. Entrou no Teatro de Arena nos anos 1960, grupo que mudou o teatro brasileiro. Atuou em textos de Augusto Boal e Plínio Marcos. Fez personagens memoráveis como Lampião em minissérie nos anos 1980. E também Chico Xavier no cinema.

Nesta entrevista, concedida na sede do Movimento em Favor da Vida (Movida), na Capital, ele relembra as brigas por comida no Teatro de Arena, o medo que teve ao iniciar na TV e o câncer de próstata que o fez olhar para o abismo, em 2003.
 
O POVO - Como surge a ideia de fazer um espetáculo contando sua própria história?
Nelson Xavier - Foi meu encontro com Chico que me fez sentir uma coisa tão radical. Eu achei que precisava fazer alguma coisa em troca. Quando eu o encontrei, a ideia que mais me dominou foi: “O que eu fiz para merecer esse prêmio? Eu não fiz nada”. (emociona-se). Eu não sabia o que fazer com isso. Um amigo meu, com quem trabalho há pelo menos 12 anos, um escritor - porque, em origem, eu sou escritor; me tornei artista porque queria fazer cinema, dirigir - me deu um texto. “Faz disso teatro”. Isso aconteceu em 2011. Pensei: “Como eu vou ensaiar isso?”. O texto fala de mim, da minha trajetória até o encontro com Chico. O Ivan (Jaf) garimpou durante seis meses material sobre Chico. E me deu.

OP - O que, da sua trajetória, já apontava para o encontro com Chico Xavier?
Nelson - Nada. Minha formação é de esquerda, partido comunista, militante, queria fazer a revolução, transformar a sociedade numa sociedade socialista.

OP - Depois desse encontro, o que muda na prática na sua relação com as pessoas, com a vida?
Nelson - O caminho foi contar. Essa peça é uma retribuição pelo prêmio. Um pagamento, uma resposta. Era um texto que não era meu. Pela primeira vez, encontrei um texto falando de mim sem que eu tivesse feito. Como é que ia decorar um texto que não fala de mim? A intuição me levou a fazer o seguinte: vou fazer isso diante de um público crente. Então, comecei a fazer em centros espíritas. Inicialmente, eu lia. Depois fui me desligando do texto. 

OP - Depois do contato com Chico, você passou a frequentar centros espíritas?
Nelson - Não. Não é com frequência. Eu vou lá e faço (o monólogo). Mas esse trabalho independe de religião.

OP - Você chegou a ter contato com Chico pessoalmente?
Nelson - Nunca. Enquanto ele era vivo, nunca tive interesse. Minha mãe (que era espírita) tinha me mostrado esse mundo e eu nunca me interessei. Até criticava. Até hoje acho um pouco… Os evangélicos estão enchendo o Congresso. Acho que os espíritas deveriam fazer o mesmo. E não fazem. Eles deveriam ser ativos. Mas não é a orientação deles. 

OP - Sobre seu trabalho como ator, o crítico Yan Michalski, em 1989, definiu seu perfil artístico: “Ator eminentemente cerebral”. Você se considera um ator cerebral? Como se define?
Nelson - Não me considero. Mas houve uma voga, sim. Eles decretavam que eu não tinha vocação, que era uma pessoa que construía o que fazia. Me considero uma pessoa muito emotiva. Embora também me considere muito cuidadoso e detalhista; rigorosamente e paranoicamente detalhista. Isso deve ressaltar para uma visão como essa. Ele não era o único a achar que meus personagens tinham essa coisa muito elaborada, até às vezes exagerando. Eu às vezes choro quando não quero. A emoção me inibe às vezes. Tivemos no Nepal para fazer as primeiras cenas de Joia Rara (novela da TV Globo). Lá aconteceu o último exemplo disso. Queria fazer uma cena preocupado com meu discípulo para que ele se cuidasse. E chorei. Não previa nem pretendia.

OP - Como foi a reação na sua família quando você decidiu partir para a carreira artística? Sua família te apoiou?
Nelson - Não. “Ih, meu filho, você vai fazer isso?” Minha mãe era casada com um advogado da Light e achava que isso não levava a nada. Nunca me proibiu. Eu também trabalho desde cedo. E já ganhava meu dinheirinho, embora morasse na casa dela. Comecei como office-boy da Chamex. Eu era um filho que não causava problemas. Meu padrasto nunca me impôs, mas me aconselhou a fazer Direito. E eu queria estudar era Filosofia. Acabei fazendo exame para a Escola de Arte Dramática, para Filosofia e para Direito. Só passei em Direito. E só tive coragem de fazer exame para a Escola, porque, aos 19 anos - essas coisas que aparecem na vida da gente e que são sinais… Um convite para fazer o curso na Universidade de Siena (Itália). Eu já estava na Faculdade de Direito. Não sei de onde surgiu. A gente bolou - eu e meus dois colegas - um livro de ouro, junto com a colônia italiana em São Paulo, para esses três estudantes fazerem o curso. A gente arrecadou um pouquinho, mas não deu. Minha mãe e meu padrasto completaram a passagem. Fomos de navio para a Europa. Passei a maior parte do tempo vendo museus. Tentei ficar, não consegui. Essa viagem me fez ter coragem de admitir que se podia sobreviver como artista. Tinha medo de enfrentar. Vi tanta arte. Em Roma, em Paris. Quando voltei, passei na Escola de Arte Dramática.

OP - Lá foi realmente sua escola?
Nelson - Fui encaminhado. Acabei me formando com notas boas.

OP - Mas o despertar ainda não era como ator...
Nelson - Desde menino, eu escrevo. Meu negócio era esse. Nunca fui empresário. Para fazer cinema no Brasil tem que ter algumas coisas de empresário. Mas eu não tenho. Não sei lidar com dinheiro. Não sei administrar. Para mim, é complicado. Por isso não produzi mais filmes na minha vida. Tenho dois, três ou quatro roteiros que tentei fazer. Mas não tenho capacidade. Voltei a escrever agora mais um roteiro.

OP - Mas você nunca pensou em transformar essas histórias em filmes pelas mãos de outra pessoa?
Nelson - Não. Meu trabalho como ator começou a vingar também. Comecei a sobreviver assim. Continuei escrevendo teatro. Tenho duas peças premiadas. Mas sempre tão à esquerda do sistema, que é complicado botar mercado nisso. No mercado, só fiz sucesso como ator.

OP - Você tem uma trajetória ligada à esquerda. Como foi o trabalho, em 1962, no Movimento de Cultura Popular (MCP), que você participou em Recife?
Nelson - O Movimento era um modelo de instituição educacional de vanguarda. Foi fundado pelo (pedadogo) Paulo Freire. Era uma coisa fantástica. O trabalho era voluntariado de estudantes e artistas. Se o golpe não tivesse prendido todo mundo e acabado com aquilo, hoje o Brasil seria um exemplo educacional planetário. Tenho plena convicção. Porque alfabetizava pelo método Paulo Freire. Fazíamos teatro, uma peça minha, do (Augusto) Boal e de outros autores, sobre resistência e luta armada no campo. Eles produziram. Passei um bom tempo morando em Pernambuco. Foi uma época áurea da minha vida.

OP - Você gostaria de ter continuado?
Nelson - Sem dúvida. Eu iria continuar. Vim pro Rio para fazer um curso de cinema para voltar e fazer cinema. Enquanto isso, o (cineasta) Eduardo Coutinho foi fazer Cabra Marcado para Morrer, cujas filmagens foram interrompidas pelo golpe. Tinha um departamento de teatro, outro de cinema. Isso que inspirou o CPC (Centro Popular de Cultura), da UNE (União Nacional de Estudantes), inclusive a UNE Volante, que era uma caravana de arte, que percorria as capitais todas. Era um país desperto. Exatamente um país como é hoje nas ruas. Greves e reclamação, todo mundo querendo mudar o Brasil, reformas de base, o Jango. Jango foi assassinado. A gente não estava preparado para o golpe. O golpe foi de uma brutalidade…

OP - Como foi a aproximação com o Teatro de Arena?
Nelson - Eu já fazia crítica de teatro na revista (Visão). Como fiquei conhecido no Seminário (de Dramaturgia), estabeleci relações com o elenco, o pessoal que escrevia, e tinha passado na Escola de Arte Dramática com nota boa, o Zé Renato (Pécora, fundador do Teatro de Arena) me chamou para o elenco. Passei a ser empregado, tive que sair da revista. Ótimo. Passei a me ver como artista. Recebia salário mensal. Logo depois, o Zé Renato ganhou uma bolsa de estudos para passar um período fora. O elenco ficou tomando conta do Arena colegiadamente. Foi um período fantástico. A gente revezava na administração. Cada um tinha uma tarefa. O dinheiro era distribuído igualitariamente.

OP - Quem estava lá nessa época? Era fácil a convivência?
Nelson - A primeira geração, que eu chamo: Boal, (Oduvaldo) Vianna (Filho), (Gianfrancesco) Guarnieri, Chico de Assis, Milton Gonçalves e Flávio Migliaccio. Esse era o núcleo central. Teve uma hora que briguei com o Flávio. A gente se pegou. Eu trabalhava na administração e não tinha dinheiro. O Flávio queria comer. Eu disse: “Não dou”. Porque, para comprar um palito de fósforo, tinha que reunir. Comunista é fogo. Fazia reunião para tudo. Passava a vida em reunião. Foi um período fecundo, maravilhoso. 

OP - Você fez peças de Augusto Boal, de Plínio Marcos e do próprio Guarnieri, como Eles não usam black-tie, com a temática social. Como era entendida, nessa época, a ideia da arte como poder de transformação social?
Nelson - É exatamente isso que o Arena traz para o teatro: o compromisso e a função social da arte. A gente queria que o teatro mudasse a consciência das pessoas. Era uma exagero. Mas a gente queria isso. Por isso ia a sindicatos, a diretórios estudantis. A gente observava, nas nossas preocupações de interpretação, o homem da rua, o operário, para se comportar cenicamente como ele. Havia uma busca social de se identificar com as classes excluídas, no sentido de conscientizar. Por isso, depois, foi difícil para mim me adaptar a fazer um teatro chamado burguês ou pequeno burguês, que só divertia. Naquele tempo - e antes do golpe, então - teatro para divertir, para passatempo, eu tinha desprezo; era um sectarismo muito grande. Stalinista até os ossos. Eu não respeitava as pessoas que faziam isso. Eu nem cumprimentava. Era vigente a palavra alienação; os alienados e os comprometidos. Naquele tempo, o preto era preto e o branco era branco. Depois do golpe, ficou meio cinzento.

OP - Depois do golpe, quando esse teatro é rechaçado, para onde você vai caminhando com sua carreira?
Nelson - Eu já não estava no Teatro de Arena. O Boal continuou. Fez o Teatro Coringa. Arena conta Zumbi, Arena conta Castro Alves. Era o início da teorização do teatro do oprimido. Ele começa a mexer na dramaturgia. O Boal fez o que o (Bertolt) Brecht sonhou: saiu do teatro, eliminou a quarta parede. Brecht não teve essa coragem. Eu não fiz parte disso. O Teatro de Arena continuou em São Paulo. Eu fiquei desligado, afastado, em caminho solo, como ator. Já estava no Rio, tentando sobreviver. Fiquei muito perdido, muito tonto. Para me reestruturar, levei anos. Fui fazer análise, me reestruturar pessoalmente. Fiquei sem saber o que fazer na vida. Tinha traçado um caminho que ia para a cadeia. Eu não entendia o mundo como era. Eu era um stalinista convicto. Para mim, havia comunista e o resto. Era difícil a adaptação. O nível de machismo era impressionante. Eu tinha uma namorada que fazia análise e eu disse: “Preciso disso”. Então, fui fazer. Mais tarde, em 1968, aconteceu uma revolução proletária também no Ocidente, a política paz e amor. Se você não consegue fazer a revolução fora, faça dentro de você. Entrei nessa. Fui me reestruturando para me capacitar a viver num novo ambiente.

OP - Mas essa mudança tinha alguma coisa de espiritual?
Nelson - Não. Era psicológica, de saber o que escolher. Depois eu comecei a me conhecer melhor, de saber minhas limitações. Você começa a descobrir mecanismos.

OP - O que você acha que dessa análise você levou para sua vida artística?
Nelson - Voltei a escrever. Escrevia sem parar. Era teatro de terror.

OP - Do que tratava?
Nelson - Era um funcionário que não consegue dizer não. Ele só passa em casa e volta para o trabalho. Tem sete, oito ou dez jornadas. Acaba matando a mulher e enrolando no tapete para receber o chefe. Em 1971, o Brasil era terrível. Com Garrastazu Médici, não havia perspectiva possível. Era trevas. Aos 16 anos, comecei a escrever um romance. Então, escrever é coisa que eu sempre faço. Mas nunca mercantilizei isso. Tenho livro de poema, de prosa. Nunca foi publicado. Com o golpe, parou tudo. Estava perdido mesmo. A análise me levou a escrever. E passei a querer ter família, filhos.

OP - Nessa época em que você estava perdido, como vislumbrava que seria o futuro?
Nelson - Não vislumbrava. É exatamente essa peça, em que ele mata a própria mulher. Tentei satisfazer alguns sonhos pessoais. Encontrei na escrita uma forma de sobreviver espiritualmente. Mas eram perspectivas muito difíceis. Uma dificuldade de me associar também para fazer as coisas.

OP - Você participou de algum movimento comunista para derrubar a Ditadura?
Nelson - Eu tentei entrar para a luta armada. (Carlos) Marighella era meu herói. Cheguei até a treinar. Não cheguei a pegar em armas. Comecei a frequentar, mas depois desisti. Vi que não iria dar certo. Não tinha futuro. Eu conto isso, aliás, na peça (A Vida é Sempre Bela). Quando o embaixador foi sequestrado, a esquerda fez festa. Era uma espécie de sinal de que era possível fazer alguma coisa. Depois disso, eu entrei. Logo se viu que não dava. A gente não tinha estrutura para isso. Aí resolvi ser ator. Aliás, estou escrevendo um argumento com gente que foi para o Araguaia, que fala de hoje e de 40 anos. E com o mesmo parceiro de agora, o Ivan Jaf.

OP - Como foi a transição do teatro para a TV?
Nelson - Nunca pensei na televisão como linguagem. No início, tinha muito medo. Me sentia muito mal e muito nervoso. O primeiro trabalho não consegui terminar de tão nervoso. Fui chamado para fazer um galã até. Ainda fazia parte desse troço aí de estar perdido. Com o tempo, fui perdendo o medo, me agarrando aos personagens. E aí surgiu Lampião, em 1982. O Grisolli já tinha trabalhado no Arena. Por um período, ele foi administrador do Arena. Durante um tempo, a gente tinha uma relação - não era amigo, mas tinha uma relação. E ele me chamou. Com Lampião, perdi o medo.

OP - Hoje você gosta de trabalhar em TV?
Nelson - Eu adoro. Mais um, por favor! Eu estava com saudade de fazer novela. Fazia tempo que não me chamavam. O encanto de fazer televisão é que você não sabe o destino do personagem. Em todos os outros, você sabe. Então é meio desafiador, excitante descobrir qual é o destino.

OP - Você ainda tem algum tipo de ansiedade ao trabalhar em televisão, cinema, teatro? Ou o início desses trabalhos é sereno?
Nelson - Eu nunca tive muito isso. Fora o medo da câmara que era gigantesca naquele tempo, eu só senti nessa ocasião, depois quando passou… Nos exames da Escola, eu era o que menos ficava nervoso.

OP - Você ainda se considera comunista?
Nelson - Eu acredito. O homem só vai ser feliz quando acabar a propriedade. Acho o capitalismo cada vez pior. Ainda mais agora. A gente vive na periferia do capitalismo. A sociedade de massa com consumo dirigido. O sujeito acabou. A gente vive um momento muito difícil, porque até capitalistas ferrenhos estão admitindo que Marx tinha um pouco de razão. A ideologia dominante continua sendo capitalista, mas estão revirando esse cadáver. A gente está num beco, porque essa previsão de que o consumo é indispensável para manter a produção é um beco sem saída. A gente vive uma coisa que tem a ver com o mercado e não com o homem. Cada vez mais pessoas estão se dando conta disso. É um caminho árduo.

OP - Você passou por muitos momentos de mudança ao longo da vida. Mas o que o câncer de próstata que você teve de enfrentar, em 2003, quando foi diagnosticado, significou para você?
Nelson - Primeiro, você entende o que é abismo. Porque você cai nele. Mas, depois, o fato de encontrar Chico, você passa a entender que isso pode melhorar você. E acho que melhorei por causa disso. Perdi muito de uma incrível arrogância. Só aí tive noção da dimensão da minha arrogância intelectual e psicológica. Então comecei a encarar o fim, porque a noção de finitude te humaniza. Acho que fiquei melhor como pessoa por causa do Chico, mas também por causa do câncer. Descobrir o Chico me deu serenidade.
Fonte: O Povo online