quarta-feira, 10 de abril de 2013

Chico Xavier e os demônios


Os demônios existem e todas as religiões os reconhecem, embora os interpretando mais como seres definitivamente voltados para o mal. Este conceito afronta a lógica e a razão, porque Deus, sendo infinitamente bom e infalível, criador de todas as coisas, não poderia ter gerado filhos destinados ao sofrimento eterno porque então seria mau ou teria falido. Nem demônios nem anjos são seres à parte na criação, mas espíritos já muito evoluídos ou ainda muito atrasados. A própria palavra demônio vem do grego daimon, que significa gênio, bom ou mau. Um dia, levado pela dor e pela experiência, ele se modificará, trilhando os caminhos do bem e assim, após quitar com o sofrimento e o amor seus débitos do passado, se transformar em espírito definitivamente feliz e sábio, conquistando a angelitude.
Em O Livro dos Espíritos, se aprende que penas e gozos são inerentes ao grau de perfeição espiritual. Espíritos enxameiam por toda parte no astral que circunda o Planeta. Em A Caminho da Luz, Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, em 1938, estimavam em mais de 20 bilhões os espíritos nessas regiões. Como Deus cria constantemente espíritos, simples e ignorantes, para através do esforço próprio evoluírem até se tornar puros, sábios e ditosos, esse número, em 2013, 75 anos depois, seria maior ainda.
“Mestre – quiseram saber um dia seus seguidores – onde está o reino de Deus?” “O reino de Deus – respondeu o Nazareno – não vem com aparato exterior, nem se pode dizer: – ei-lo aqui, ei-lo ali! O reino de Deus está dentro de vós”. Da mesma forma, o umbral, purgatório, geena ou abismo, tenha o nome que tiver. Acrescenta o filósofo Huberto Rohden que, quando o homem tem dentro da alma a justiça e a paz, o amor e a caridade, está no meio do reino de Deus, porque dentro dele encontra o reino de Deus.
É muito interessante lermos no livro Chico de Francisco, de Adelino da Silveira, Francisco Cândido Xavier falando de aparições que teve de entidades das trevas:
1 – “Eu estava em casa, meu filho, quando à minha frente surgiu um espírito de forma indescritível! Seus pés eram de animal, suas mãos eram duas garras, sua face completamente deformada. Ele era muito forte, alto e me disse:
– Você me chamou? O que quer de mim?
Senti que o momento era decisivo, porque se dissesse a ele que não o havia chamado, ele se ofenderia e certamente me agrediria. Respondi que o havia chamado porque necessitava do seu auxílio, que eu estava sofrendo muito, que tudo estava muito difícil para mim, que ele tivesse piedade e me socorresse. Humilhei-me o mais que pude. Quando terminei o que externara com sinceridade, porquanto nunca senti em mim qualquer valor que merecesse destaque, ele falou:
– É, você não tem jeito mesmo. Mal a gente se aproxima, você já cai de joelhos...”
2 – “Em muitas ocasiões, antes do progresso que desfrutamos agora, depois de longa mensagem que eu escrevia à mão para enviar à Federação Espírita Brasileira, no Rio, surgiam ventos súbitos que penetravam por alguma janela e se concentravam, em redemoinho, sobre o tinteiro de que me servia, espalhando a tinta sobre o trabalho que me custara enorme esforço, anulando-me o serviço, por vezes, efetuado com os minutos possíveis de noites seguidas. Pouco a pouco fui compreendendo que eu estava numa guerra – a guerra do bem contra o mal – da qual não me cabia desertar.”
3 – “Os espíritos das trevas fazem tudo para atrapalhar quem quer trabalhar, mas os espíritos da luz, quando percebem a nossa boa vontade, nos auxiliam e vamos caminhando. Eu não posso pensar em mais nada, a não ser no livro espírita. Esses livros todos têm nascido em meio a enormes lutas. Mas é assim. Levantei-me que seja, o dia mal começou, já estou procurando lápis e papel, as ideias caem feito cachoeira no meu cérebro e eu tenho que escrever. Sinto-me como que arrastado, não posso resistir. E vai ser assim até quando Deus quiser (o médium psicografou 460 livros). Muitos amigos generosos me convidam para uma semana de férias na sua chácara ou fazenda, mas sei que, se aceitar, nem eu nem eles teremos as férias desejadas.”
4 – “Desde muito tempo, noto que a perseguição de falanges das sombras da ignorância é um movimento constante e sistemático que eu acredito venha atuando no mundo, contra a luz que o Cristo veio trazer-nos, a nós, os habitantes multimilenários do Planeta. Elas se revezam, através de numerosas reencarnações, como acontece a nós mesmos que nos revezamos, em vidas e vidas, procurando assimilar os ensinos do Divino Mestre e segui-los, o que certamente ainda nos custará encarnações numerosas. Desde muito tempo, noto que as nossas reuniões evangélicas para o intercâmbio espiritual, do ponto de vista global – encarnados e desencarnados – são um combate travado entre as luzes e as trevas, no qual, por misericórdia do Senhor, somos defendidos e guardados por vigorosas legiões de espíritos benfeitores, que nos sustentam para a extensão da Luz e do Bem que o Cristo nos trouxe.”
5 – No livro Chico Xavier, Mandato de Amor, editado pela União Espírita Mineira, José Martins Peralva Sobrinho conta:
“Um grupo de espíritos penetrou em seu quarto, fazendo ameaças. Emmanuel, vigilante como sempre, apareceu e recomendou a Chico humildade e delicadeza, aconselhando-o a olhar para os pés dos visitantes. Chico obedeceu e surpreendeu-se. Aqueles espíritos de bom aspecto pessoal tinham pés caprinos!”
Fonte: DM.com.br

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