quinta-feira, 29 de março de 2012

UMA MENSAGEM DE EMMANUEL- VENCERÁS

Não desanimes...Persiste mais um tanto.
Não cultives pessimismo...Centraliza-te no bem a fazer.

Esquece as sugestões do medo destrutivo...Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros.

Avança ainda que seja por entre lágrimas...Trabalha constantemente.

Edifica sempre...Não consintas que o gelo do desencanto te entorpeça o coração.

Não te impressione a dificuldade...Convence-te de que a vitória espiritual é construção para o dia-a-dia.

Não desistas da paciência...Não creias em realização sem esforço.

Silêncio para a injúria...Olvido para o mal.

Perdão às ofensas...Recorda que os agressores são doentes.

Não permitas que os irmãos desequilibrados te destruam o trabalho ou te apaguem a esperança.

Não menosprezes o dever que a consciência te impõe.

Se te enganaste em algum trecho do caminho, reajusta a própria visão e procura o rumo certo.

Não contes vantagens ou fracassos...Estuda buscando aprender.

Não te voltes contra ninguém...Não dramatizes provações ou problemas.

Conserva o hábito da oração para que se te faça luz na vida íntima.

Resguarda-te em Deus e persevera no trabalho que Deus te confiou.

Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar.

Age auxiliando...Serve em apego.

E assim vencerás
Mensagem de Emanuel – Psicografada por: Chico Xavier

FRASES DE CHICO XAVIER

O desespero é uma doença. E um povo desesperado,lesado por dificuldades enormes, pode enlouquecer, como qualquer indivíduo. Ele pode perder o seu próprio discernimento. Isso é lamentável, mas pode-se dizer que tudo decorre da ausência de educação, principalmente de formação religiosa .
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Fico triste quando alguém me ofende, mas, com certeza, eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível!
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Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta
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Não há problema que não possa ser solucionado pela paciência.
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Eu permito a todos serem como quiserem, e a mim como devo ser.
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A desilusão é a visita da verdade
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Valoriza os amigos. Respeita os adversários
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A questão mais aflitiva para o espírito no Além é a consciência do tempo perdido.
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O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda parte.´
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Lembra-te sempre : cada dia nasce de um novo amanhecer.
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Não exijas dos outros qualidades que ainda não possuem. A árvore nascente aguarda-te a bondade e a tolerância para que te possa ofertar os próprios frutos em tempo certo
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Lembra-te de que falando ou silenciando, sempre é possível fazer algum bem.
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Deixe algum sinal de alegria, onde passes
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Hoje auxiliamos, amanhã seremos os necessitados de auxilio
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Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito
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Se as críticas dirigidas a você são verdadeiras, não reclame; se não são, não ligue para elas.
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Viver é sempre dizer aos outros que eles são importantes. Que nós os amamos, porque um dia eles se vão e ficaremos com a impressão de que não os amamos o suficiente
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Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes... São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.
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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim
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O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros.
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Nós seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar. Portanto quem chuta ou maltrata um animal é alguém que não aprendeu a amar.
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Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido a provas e até rejeitado
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A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!
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Se o momento é de crise, não te perturbes, segue... Serve e ora, esperando que suceda o melhor. Queixas, gritos e mágoas são golpes em ti mesmo. Silencia e abençoa, a verdade tem voz.
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Ama sempre, fazendo pelos outros o melhor que possas realizar. Age auxiliando. Serve sem apego. E assim vencerás.
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Na vida, não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós!
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Ninguém é bom por acaso; a virtude deve ser bem aprendida
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Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta
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Cada dia que amanhece assemelha-se a uma página em branco, na qual gravamos os nossos pensamentos, ações e atitudes. Na essência, cada dia é a preparação de nosso próprio amanhã

segunda-feira, 26 de março de 2012

Parte da Carta de Publius Lentulus para o Imperador Tibério César

Depois se refere ao período de tempo passado entre a morte de Lentulus em Pompéia e sua encarnação seguinte. O senador retornou ao mundo material como o escravo Nestório, justamente o tipo de homem que o senador tanto prejudicou antes de perceber a verdade das palavras de Jesus. .
Nascido na Grécia, mas de origem judia, Nestório tinha grande cultura e, depois de ter sido escravizado, foi comprado por uma família rica de Roma, passando a trabalhar como professor. Ele também era cristão e, segundo conta a história psicografada, participou das pregações evangélicas do apóstolo João Evangelista, em Éfeso. Foi preso por participar das reuniões secretas de cristãos realizadas nas catacumbas das cidades, e foi condenado à morte violenta.
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Reencarnou novamente, por volta do ano 217, como Quinto Varro, romano seguidor dos ensinamentos de Jesus e defensor dos ideais de liberdade. Revoltou-se contra as condições em que as classes menos privilegiadas de Roma tinham de viver, mas percebeu que um novo mundo estava para surgir. Assumiu a identidade de Irmão Corvino ao saber de uma conspiração para matá-lo. Quando finalmente foi preso, foi condenado à decapitação, mas a pena foi suspensa e ele morreu lentamente na prisão.
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Sua encarnação seguinte ocorreu onze anos após, com o nome de Quinto Celso, que também sofreu o martírio no circo, morrendo queimado aos catorze anos.
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Uma das encarnações muito comentadas de Emmanuel foi como o Padre Manoel da Nóbrega, figura importante na história do Brasil. No entanto, ele apenas revelou ter sido de fato o padre Manoel da Nóbrega numa sessão realizada em 1949. Parte da mensagem psicografada dizia: "O trabalho de cristianização, irradiado sob novos aspectos do Brasil, não é novidade para nós. Eu havia abandonado o corpo físico em dolorosos compromissos no século XV, na Penínsuula, onde nos devotávamos ao 'crê ou morre', quando compreendi a grandeza do País que nos acolhe agora.
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Tinha meu espírito entediado de mandar e querer sem o Cristo. As experiências do dinheiro e da autoridade me haviam deixado a alma em profunda exaustão. Quinze séculos haviam decorrido sem que eu pudesse imolar-me por amor do Cordeiro Divino, como o fizera, um dia, em Roma, a companheira do coração. Vi a floresta perder-se de vista e o património extenso entregue ao desperdício, exigindo o retorno à humanidade civilizada e, entendendo as dificuldades do silvícola relegado à própria sorte. Nos azares e aventuras da terra dadivosa que parecia sem fim, aceitei a sotaina, de novo, e por Padre Nóbrega conheci de perto as angústias dos simples e as aflições dos degredados.
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Intentava o sacrifício pessoal para esquecer o fatídico mundano e o desencanto de mim mesmo, todavia, quis o senhor que, desde então, o serviço americano e, muito particularmente, o serviço ao Brasil não me saísse do coração. A tarefa evangelizadora continua. A permuta de nomes não importa. Cremos no reino Divino e pugnamos pela ordem cristã. Desde que conheçamos a governança e a tutela de Cristo, o nome de quem ensina ou de quem faz não altera o programa".
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Reencarnado na vila portuguesa de Sanfins, em 18 de Outubro de 1517, o padre ficou conhecido como "o primeiro apóstolo do Brasil", para onde veio em 1549, na companhia de Tomé de Souza. Ele desencarnou em 1570 e renasceu cinquenta anos depois, na Espanha, onde foi o padre Damiano, que lutou contra os mercadores de escravos.
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Era inevitável que aqueles que não reconhecem a medi unidade de Chico Xavier, ou até mesmo a noção da reencarnação, levantassem dúvidas quanto à veracidade dos relatos e mensagens obtidas pelo médium mineiro. Entretanto, costuma-se citar como prova de que Publius Lentulus realmente existiu e conheceu Jesus uma carta que teria sido encontrada nos arquivos do Duque Cesari, de Roma - documento que, segundo se diz, faz parte da biblioteca da Ordem dos Lazaristas de Roma. Segundo se diz, trata-se de uma inscrição feita em folha de cobre, encontrada no interior de um vaso de mármore.
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A carta teria sido escrita por Publius Lentulus - senador romano, governador da Judeia, e predecessor de Pôncio Pilatos - e endereçada ao imperador romano Tibério César. Nela, a pedido do imperador, que desejava saber de quem se tratava essa pessoa de quem tanto se falava, Lentulus descreve Jesus.
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O texto da carta que vem sendo divulgado diz: "Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existe nos nossos tempos um homem, o qual vive actualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é o filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado. .

Em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra. É um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade em seu rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura; são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso pelos nazarenos. O seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno. Nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada. O nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, separada pelo meio. Seu olhar é muito afectuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros. O que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar.
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Faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos. Na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo jamais visto por estas partes uma mulher tão bela. Porém, se a Majestade Tua, ó Cesar, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível. De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes.
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Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus. Muitos judeus o têm como divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade. Eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus. Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo: aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido. Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Publius Lentulus, presidente da Judeia".
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É verdade que nem todos, espíritas ou não, concordam que essa suposta carta realmente exista ou que ela tenha sido escrita pelo Publius Lentulus ao qual Emmanuel se referiu. Na verdade, não se tem notícias mais concretas sobre a descoberta dessa carta, ou mesmo sobre qualquer análise ou datação histórica do suposto documento.
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Para o Espiritismo, o mais importante é o que se encontra nas mensagens que Emmanuel deixou para todos, por meio das psicografias de Chico Xavier, e que têm trazido tantas ideias positivas para a humanidade.

sábado, 24 de março de 2012

Estudo sobre Alma e depoimento de Chico Xavier

Uma das primeiras preocupações do Codificador Allan Kardec, expressa na Introdução do “O Livro dos Espíritos”, foi a de explicar bem os diversos termos, no seu sentido doutrinário.   Assim, por exemplo, foi dada uma nova acepção para os termos Espiritualista e Espírita, pela qual, no primeiro acham-se incluídos todos aqueles que crêem numa Vida Futura, na Imortalidade da Alma, em Deus; no segundo aqueles que crêem em todos esses princípios porém de uma forma específica e particular.
Idêntica preocupação teve Allan Kardec com o termo ALMA.
O entendimento do termo é variável, segundo a concepção filosófica.
Alguns entendem que Alma é o princípio da vida material orgânica, não tendo existência própria, cessando com a extinção da Vida. Esta é a tese do Materialismo puro.
A Alma seria, nesta concepção um efeito e não uma causa.
Outros entendem que a Alma é uma partícula do próprio Deus. Cada ser absorveria uma porção do Princípio da Inteligência ou do Agente Universal. Haveria uma só Alma no Universo que distribuiria centelhas de vida aos diversos seres. Depois da morte, cada centelha retornaria à fonte comum, sendo absorvidas pelo Todo, tal como os riachos e os rios retomam aos mares, de onde vieram. Essa opinião difere da do Materialismo, por aceitar que há nos seres algo mais que a matéria, que se sobrepõe à morte; entretanto, como expõe Allan Kardec em “O Céu e o Inferno” (Capítulo I – item 5): “Ser o homem imerso em o nada ou no reservatório comum, é para ele a mesma coisa; aniquilado ou perdendo a sua individualidade, é como se não existisse; as relações sociais nem por isso deixam de romper-se, e para sempre. O que lhe é essencial é a conservação do seu eu; sem este, que lhe importa ou não subsistir?
Nesta acepção, a fonte universal de Inteligência que abastece as Almas humanas é independente da Divindade; não é precisamente o Panteísmo.
Pelo Panteísmo, o princípio universal de vida e inteligência é a própria Divindade. Deus é concomitantemente Espírito e matéria; todos os corpos da Natureza compõem a Divindade, da qual são moléculas e elementos constitutivos. Deus seria a conjunção de todas as inteligências reunidas. Cada indivíduo, sendo uma parte do todo, é Deus ele próprio. 0 Universo seria como que uma república imensa onde cada qual é chefe com poder absoluto.
As objeções a esta doutrina são muitas:
Como um todo perfeito pode ser constituído de partículas tão imperfeitas, com necessidade de progredir?
Se as partículas necessitam progredir, forçoso é aceitar que o Todo também deve progredir; se esse Todo progride constantemente, deveria ter sido, na origem dos tempos, muito imperfeito. Como pôde um ser imperfeito, formado de idéias tão divergentes, conceber leis tão harmônicas e admiráveis, quais as que regem o Universo?
Se todas as Almas são porções da Divindade, elas concorreram para as leis da Natureza; como compreender, pois, que elas murmurem sem cessar contra essas leis que são sua própria obra?
“Uma teoria não pode ser aceita como verdadeira senão com a cláusula de satisfazer a razão e dar conta de todos os fatos que abrange; se um só fato lhe trouxer um desmentido, é que não contém a verdade absoluta.”. Céu e o Inferno – Allan, Kardec – Cap. I – item 8)

Segundo outros, enfim, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria o que conserva sua individualidade depois da morte. Esta acepção é a mais geral porque, qualquer que seja seu nome, a idéia do ser que sobrevive ao corpo se encontra no estado de crença instintiva, existindo em todos os povos, qualquer que seja o seu grau de civilização.
Essa doutrina, segundo a qual a Alma é causa e não o efeito é a dos Espiritualistas.
Assim nos fala Allan Kardec, em “0 Livro dos Espíritos”
(Introdução- item II-Alma, Princípio Vital e Fluido Vital):
“Sem discutir o mérito dessas opiniões, e não considerando senão o lado linguístico da questão, diremos que essas três aplicações da palavra Alma constituem três idéias distintas, que reclamariam, cada uma, termo diferente.(…) Evitaríamos a confusão, se empregássemos a palavra Alma, nos três casos, desde que lhe ajuntássemos um qualificativo para especificar a aplicação que lhe damos.”
Em decorrência, estabelece:
Alma Vital:comum a todos os seres orgânicos; princípio da vida material.
Alma Intelectual: própria dos animais e dos homens; princípio da inteligência.
Alma Espírita: própria da espécie humana.
Procurando sintetizar o magnífico raciocínio do Codificador Allan Kardec: A vida material é comum a todos os seres orgânicos, desde as plantas até o homem e independe da inteligência e do pensamento. Os atributos inteligência e pensamento são próprios de determinadas espécies orgânicas alguns animais e do ser humano. Entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento há uma com um senso especial, que lhe dá superioridade sobre as outras: a espécie humana.
Encontramos. na mesma introdução de “0 Livro dos Espíritos”, uma definição de Alma, sintética e abrangente:

“É o ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo.”’

Procuremos analisar a definição:
É o ser imaterial: A Doutrina Espírita dá-nos conta de que a Alma é constituída de uma substância etérea, leve e vaporosa; Alma e Espírito exprimem uma só coisa, tendo se convencionado chamar de Espírito ao desencarnado e de Alma o encamado. (LE- Questão 134)
E Individual: A alma é indivisível.
Que em nós reside: A Alma, sendo o Espírito dos encarnados, liga-se a este e manifesta-se neste como a luz através de globo de vidro.
E sobrevive ao corpo:“A Alma é Imortal” diz o título da magistral obra do Gabriel Delanne, editada pela FEB. em primorosa tradução do Dr Carlos Imbassahy.
Complementando, encontramos, ainda, em “0 Livro dos Espíritos”, na resposta à questão 134-b, o seguinte ensinamento dos Espíritos superiores:

“As Almas não são mais do que os Espíritos. Antes de ligar-se ao corpo, a Alma é um dos seres Inteligentes que povoam o mundo invisível, e depois reveste temporariamente um invólucro carnal, para se purificar e esclarecer.
Chico Xavier…depoimento

Mensagens narradas por Chico Xavier

Sérgio Mallandro segue conselho de Chico Xavier

Sérgio Mallandro, como ele próprio revela, era um daqueles garotos que aprontam todas. Mas quando contava suas aventuras, as pessoas gostavam de ouvi-las. Matriculou-se em cursos livres de teatro, batalhou e conseguiu chance na televisão por meio de Silvio Santos. E não parou mais. Hoje, faz peças, filmes, tem discos gravados e anuncia: vai lançar em breve a canção Beijo de macaco. “Tudo o que faço no palco é o que sempre fiz na vida. Minha missão é divertir as pessoas”, avisa Sérgio, repetindo o conselho que ouviu do médium Chico Xavier...e assim obteve sucesso na sua vida.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Sobre a Desencarnação de Chico Xavier.

Há 6 anos, no dia 30 de Junho de 2002, nosso querido Chico Xavier retornava ao Plano Espiritual. Relembrando esta data, trago para vocês uma breve descrição do que ocorreu “do outro lado da vida” - paralelamente ao velório no plano físico
Uma merecida recepção a esse maravilhoso médium, que tanto fez pela Doutrina Espírita e por todos nós... Que todos nós possamos aproveitar para refletir...

Esta descrição foi realizada pelo Espírito Inácio Ferreira, e está presente no livro “Na Próxima Dimensão”, psicografado pelo médium Carlos Alberto Baccelli.

 (...) No Mundo Espiritual, nosso irmão Lilito Chaves veio ao nosso encontro e anunciou o que, desde algum tempo, aguardávamos com expectativa: a desencarnação do médium Francisco Cândido Xavier, o nosso estimado Chico. O acontecimento nos impunha rápidas mudanças de planos, improvisamos uma excursão à Crosta para saudar aquele que, após cumprir com êxito a sua missão, retornava à Pátria de origem.

Assim, sem maiores delongas, Odilon, Paulino e eu, juntando-nos a uma plêiade de companheiros uberabenses desencarnados, rumamos para Uberaba no começo da noite daquele domingo, dia 30 de junho.

A caminho, impressionava- nos o número de grupos espirituais, procedentes de localidades diversas, do Brasil e do Exterior, que se movimentavam com a mesma finalidade.

Todos estávamos profundamente emocionados e, mais comovidos ficamos quando, estacionando nas vizinhanças do “Grupo Espírita da Prece”, onde estava sendo realizado o velório, com o corpo exposto à visitação pública, observamos uma faixa de luz resplandecente, que, pairando sobre a humilde casa de trabalho do médium, a ligava às Esferas Superiores, às quais não tínhamos acesso.

Conversando conosco, Odilon observou:
Embora, evidentemente, já desligado do corpo, nosso Chico, em espírito, ainda não se ausentou da atmosfera terrestre; os Benfeitores Espirituais que, durante 75 anos, com ele serviram à Causa do Evangelho, estarão, com certeza, à espera de ordens superiores para conduzi-lo a Região Mais Alta... De nossa parte, permaneçamos em oração, buscando reter conosco as lições deste raro momento.

Aproximando-nos quanto possível, notamos a formação de duas filas imensas, constituídas de irmãos encarnados e desencarnados, que reverenciavam o companheiro recém-liberto do jugo opressor da matéria: eram espíritos, no corpo e fora dele, extremamente gratos a tudo que haviam recebido de suas mãos, a vida inteira dedicadas à caridade, na mais fiel vivência do “amai-vos uns aos outros”. Mães e pais que, por ele haviam sido consolados em suas dores; filhos e filhas que puderam reatar o diálogo com os genitores saudosos, escrevendo-lhes comoventes páginas do Outro Lado da Vida; famílias desvalidas com as quais repartira o pão; doentes que confortara agonizantes em seus leitos; religiosos de todas as crenças que, respeitosos, lhe agradeciam o esforço sobre-humano em prol da fé na imortalidade da alma...

Não registramos nas imediações, é bom que se diga, um só espírito que ousasse se aproximar com intenções infelizes. Os pensamentos de gratidão e as preces que lhe eram endereçadas, formavam um halo de luz protetor que tudo iluminava num raio de cinco quilômetros; porém essa luz amarelo-brilhante contrastava com a faixa de luz azulínea que se perdia entre as estrelas no firmamento.

A cena era grandiosa demais para ser descrita e desafiaria a inspiração do mais exímio gênio da pintura que tentasse retratá-la.

Uma música suave, cujos acordes eu desconhecia, ecoava entre nós, sem que pudéssemos identificar de onde provinha, como se invisível coral de vozes infantis, volitando no espaço, tivesse sido treinadas para aquela hora.

Espíritos mais simples que passavam rente comentavam:
“Este é um dos últimos... Não sabemos quando a Terra será beneficiada novamente por um espírito de tal envergadura”;
“Este, de fato, procurava viver o que pregava”
“Quem nos valerá agora?”;
“Durante muitos anos, ele matou a fome da minha família...
"Lembro-me de que, certa vez, desesperado, com a idéia de suicídio na cabeça, eu o procurei e a minha vida mudou”;
“Os seus livros me inspiraram a ser o que fui, livrando-me de uma existência medíocre”; “Quando minha avó morreu, foi ele quem pagou seu enterro, pois, à época, éramos totalmente desprovidos de recursos”;
“Fundei minha casa espírita sob a orientação de Chico Xavier, que recebeu para mim uma mensagem de incentivo e de apoio”;
“Comigo, foi diferente: eu estava doente, desenganado pela Medicina, ele me receitou um remédio de Homeopatia e fiquei bom”...

Os caravaneiros não cessavam de chegar, todos portando flâmulas e faixas com dizeres luminosos; creio sinceramente que, em nosso Plano, jamais houve uma recepção semelhante a um espírito que tivesse deixado o corpo, após finda a sua tarefa no mundo; com exceção do Cristo e de um ou outro luminar da Espiritualidade, ninguém houvera feito jus ao aparato espiritual que se organizara em torno do desenlace de Chico Xavier.

Com dificuldade, logrando adentrar o recinto do “Grupo Espírita da Prece”, reparamos que uma comissão de nobres espíritos, dispostos em semicírculo, todos trajando vestes luminescentes, permanecia, quanto nós mesmos, em expectativa. Odilon sussurrou-me ao ouvido:

Inácio, estas são as entidades que trabalharam com ele na chamada “Coleção de André Luiz”; são os Mentores das obras que o nosso André reportou para o mundo, no desdobramento do Pentateuco Kardeciano: Clarêncio, Aniceto, Calderaro, Áulus e tantos outros...

E aqueles que estão imediatamente atrás? Indaguei.
São alguns representantes da família do médium e amigos fiéis de longa data.
E onde estão Emmanuel, nosso Dr. Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo? Porventura, ainda não chegaram?...
Devem estar, respondeu, cuidando da organização...
Ao lado do seu corpo inerte, nosso Chico, segundo a visão que tive, me parecia uma criança ressonando, tranqüila, no colo de um anjo transfigurado em mulher, fazendo-me recordar, de imediato, a imagem de “Pietà”, a famosa escultura de Michelangelo.

Quem é ela? — perguntei.
Trata-se de D. Cidália, a sua segunda mãe...
E D. Maria João de Deus?...
Ao que estou informado, esclareceu Odilon, encontra-se reencarnada no seio da própria família.
E seu pai, o Sr. João Cândido?
Está em processo de reencarnação, seguindo os passos da primeira esposa.
Adiantando-se, nosso Lilito indagou:
Odilon, na sua opinião, por que o Chico está parecendo uma criança?

Ele necessita se refazer, pois o seu desgaste, como não ignoramos, foi muito grande, mormente nos últimos anos da vida física; nosso Chico carece de se desligar completamente. .. Perderá, no entanto, a consciência de si?

É evidente que não. O seu verdadeiro despertar acontecerá gradativamente, à medida em que se recupere da luta sem tréguas que travou... Aliás, a Espiritualidade Superior, nos últimos três anos, vinha trabalhando para que a sua transição ocorresse sem traumas, tanto para a imensa família espírita, que o venera, quanto para ele próprio.

Inúmeras caravanas e representações continuavam chegando, formando extensas filas, que se postavam paralelas às filas organizadas pelos nossos irmãos encarnados, a comparecerem ao velório para render a Chico Xavier merecidas homenagens.

Dezenas e dezenas de jovens formavam grupos especiais que vinham recebê-lo no limiar da Nova Vida, gratos por ter sido ele o seu instrumento de consolo aos familiares na Terra, quando se viram compelidos à desencarnação...

A tarefa de Chico Xavier, explicou Odilon emocionado, não tem fronteiras; raras vezes, a Espiritualidade conseguiu tamanho êxito no campo do intercâmbio mediúnico... No entanto a força que o sustentava nas dificuldades vinha de cima, pois, caso contrário, teria sucumbido às pressões daqueles que, encarnados e desencarnados, se opõem ao Evangelho. Chico, por assim dizer, ocultou-se espiritualmente em um corpo franzino e deu início ao seu trabalho, sem que praticamente ninguém lhe desse crédito; quando as trevas o perceberam, já havia atravessado a faixa dos vinte de idade e em franco labor, tendo pronto o “Parnaso de Além-Túmulo”, a obra inicial de sua profícua e excelente atividade psicográfica. ..

Estávamos todos profundamente emocionados. A multidão, dos Dois Lados da Vida, não parava de crescer e, assim como no Plano Físico os policiais cuidavam da organização, na Dimensão Espiritual em que nos situávamos, Entidades diversas haviam sido encarregadas de disciplinar a intensa movimentação, sem que nenhum de nós se sentisse encorajado a reclamar qualquer privilégio com o propósito de uma maior aproximação. Quase todos nos conservávamos em atitude de profundo silêncio e de reverência.

Os grupos de espíritos que haviam, ao longo de seus 75 anos de labor, trabalhado com o médium, com exceção, evidentemente, daqueles que já haviam reencarnado, se faziam representar pelos seus maiores expoentes no campo da Poesia e da Literatura.

Próximas a Cidália, em cujos braços Chico Xavier descansava, à espera de que o cortejo fúnebre partisse conduzindo os seus restos mortais, notei a presença de algumas entidades femininas que eu não soube identificar.

Quem são? Perguntei a Odilon, que era um dos poucos dentre nós com plena liberdade de movimentar-se.
Aquelas quatro primeiras, são as nossas irmãs Meimei, Maria Dolores, Scheilla e Auta de Souza; as demais são corações maternos agradecidos que, em uma ou outra oportunidade, se expressaram pela mediunidade psicográfica do nosso Chico.

Quem estará na coordenação do evento? Insisti, ansioso por maiores esclarecimentos.
O Dr. Bezerra de Menezes e Emmanuel, assessorados diretamente por José Xavier respondeu.
José Xavier?...
Sim, o irmão do médium, que está conduzindo um grupo de espíritos amigos de Pedro Leopoldo e região; quando Chico se transferiu para a cidade de Uberaba, em 1959, os seus vínculos afetivos com a sua terra natal não se desfizeram; os espíritas que constituíram o Centro Espírita “Luiz Gonzaga” sempre se sentiram membros de uma única família.
E aquele casal mais próximo que, de quando a quando, dialoga com Cidália?
José Hermínio e D. Carmem Perácio; foram eles que iniciaram Chíco Xavier no conhecimento da Doutrina Espírita, doando-lhe exemplares de “O Livro dos Espíritos” e de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”...


Pude perceber, com clareza, que os filamentos perispirituais que uniam o espírito recém-desencarnado ao corpo enrijecido, se enfraqueciam gradualmente; sem dúvida, o médium, assim que se lhe cerraram os olhos físicos, desprendeu-se da forma material, no entanto, devido à necessidade de permanecer durante 48 horas exposto à visitação pública, conforme era seu desejo, exigia que o corpo, de certa forma, continuasse a receber suplementos de princípio vital, evitando-se os constrangimentos da cadaverização. Embora aconchegado aos braços daquela que havia sido na Terra a sua segunda mãe e grande benfeitora, o espírito Chico guardava relativa consciência de tudo...


As expectativas de quase todos, porém, se concentravam sobre aquela faixa de luz azulínea, a qual, à medida que se abeirava a hora do sepultamento, se intensificava; tínhamos a impressão de que aquele caminho iluminado era a passagem para uma Dimensão Desconhecida, para a qual, com certeza, Chico Xavier haveria de ser conduzido.


Dentro de poucos instantes, o silêncio se fez naturalmente maior e um venerável senhor, ladeado por Irmão José e Herculano Pires, este um dos vultos mais importantes da Doutrina nos últimos tempos, assomou discreta tribuna e começou a falar.

Quem é? Perguntei, à meia-voz...
Léon Denis, respondeu-me Odilon com um sussurro.
“Meus irmãos, - disse o inesquecível discípulo de Allan Kardec - eis que aqui nos encontramos reunidos, para receber de volta ao nosso convívio, aquele que, uma vez mais, cumpriu exemplarmente a missão que lhe foi confiada pelo Senhor de nossas vidas. Elevemos ao Infinito os nossos pensamentos de gratidão e de reconhecimento, porquanto sabemos das dificuldades que o espírito que moureja na carne enfrenta para desbravar caminhos à Verdade; o nosso amigo e mestre que, após longa e desgastante peleja, agora retorna à Pátria Espiritual, se constituiu num verdadeiro exemplo, não somente para os nossos irmãos encarnados, mas igualmente para os que necessitamos renascer no orbe e, por vezes, nos sentimos desencorajados. .. (...) Um ciclo se encerra, mas outro deve começar (...)” Passados alguns instantes da alocução proferida por Léon Denis, perfumada aragem começou a soprar, balsamizando o ambiente. De onde será que provinha aquele suave perfume que, aos poucos, se intensificava, impregnando-nos o corpo espiritual? Tínhamos a impressão de que, caindo de Esferas Resplandecentes, aquele orvalho celeste, constituído de diminutos flocos luminosos, antecedia o momento em que o espírito Chico Xavier seria conduzido à ignota região da Vida Sem Fim.

Quando o fenômeno a que tento me referir se fez mais evidente, algumas explosões começaram a ocorrer na extensa faixa de luz azulínea que, agora, ia mudando de tonalidade, como se um arco-íris se estivesse materializando diante dos nossos olhos.

Gradativamente, cinco entidades foram se fazendo visíveis para nós, tangibilizando-se no pequeno espaço que me parecia reproduzir produzir a abençoada estrebaria em Belém...

Os cinco espíritos, que não posso lhes dizer que tenham assumido forma propriamente humana, foram sendo identificados por nós: eram Bezerra de Menezes, Emmanuel, Eurípedes Barsanulfo, Veneranda e Celina, a excelsa mensageira de Maria de Nazaré.

Diante da estupenda visão, todos sentimos ímpetos de nos ajoelharmos; muitos, efetivamente, se ajoelharam, com os olhos banhados de lágrimas.
Bezerra de Menezes, Emmanuel e Eurípedes Barsanulfo estavam, por assim dizer, mais humanizados, no entanto Veneranda e, especialmente, Celina, nos pareciam dois anjos alados, falenas divinas que se tivessem metamorfoseado apenas para que pudéssemos vê-las... Eu tinha a impressão de estar participando de um sonho que transcendesse a mais fértil imaginação.

Adiantando-se aos demais companheiros, Veneranda, que o tempo todo pairava no ar, começou a orar com sentimento que a palavra não consegue traduzir:
“Senhor da Vida” exorou, sensibilizando-nos profundamente, aqui estamos para receber, de volta ao nosso convívio, um dos Vossos servidores mais fiéis que, após quase um século de lutas acerbas pela causa do Vosso Evangelho na Terra, regressa ao Grande Lar, com a consciência do dever cumprido.

Que as Vossas bênçãos envolvam o espírito naturalmente exaurido, restituindo-lhe as energias que se consumiram de todo por amor do Vosso Nome entre os homens, nossos irmãos! Que do seu extraordinário esforço não se perca, Mestre, uma única gota de suor, das que se misturaram às lágrimas anônimas vertidas por ele no testemunho da Fé.

Que o trabalho de sua profícua existência no corpo físico continue a ser prodigiosa sementeira para as gerações do porvir, apontando o Caminho para quantos anseiam por seguir os Vossos passos...

Senhor, os que tão-somente agora, depois de séculos e século de sombras, nos convencemos da Vossa magnanimidade, vos agradecemos por não terdes consentido que o nosso irmão sucumbisse diante das provas e, em nada, se afastasse da trajetória que lhe traçaste no mundo, sabemos que, nos momentos mais difíceis, sem que nós mesmos pudéssemos perceber, a Vossa mão o sustentava para que não tombasse sob o peso da cruz que lhe pusestes aos ombros... Nós vos louvamos por terdes realizado nele a obra consagrada do Vosso amor, que, um dia, redimirá a Humanidade inteira.

E que, agora, ainda unidos ao espírito companheiro que soube transformar-se em exemplo de renúncia e de sacrifício, de desprendimento e de abnegação, possamos dar seqüência à tarefa que iniciastes há dois mil anos, da edificação do Reino de Deus sobre a face da Terra!...

Que a claridade sublime das Altas Esferas não nos faça ignorar os vales de sombras dos quais procedemos e nos quais acendestes, para sempre, a Vossa Luz... Que não nos seja lícito o descanso, enquanto o orbe planetário, onde tantas vezes expiamos as nossas faltas, se transfigure em estrela de real grandeza, a fulgir na glória dos mundos redimidos.

Abençoai, Senhor, os nossos propósitos que são os Vossos e que, hoje e sempre, possamos exaltar-Vos o Nome através de nossas vidas!...”

Terminando de orar, Veneranda e Celina se aproximaram de Cidália, que continuava a aconchegar em seu materno coração o espírito que foi nosso Chico, o qual, de quando a quando, estampava cândido sorriso, como se fosse uma criança participando de um sonho bom do qual jamais ousasse acordar.

O silêncio reinante era de tal ordem, que, aos nossos ouvidos, a voz inarticulada da Natureza nos parecia uma sinfonia; de minha parte, confesso-lhes que eu nunca tinha ouvido a música dos astros e nem podia imaginar que o próprio silêncio tivesse voz.

A faixa de luz azulínea que se transformara num arco-íris ainda se mostrava mais viva, e todos permanecíamos na expectativa do que não sabíamos pudesse acontecer.

Direcionando os sentidos, quis ver, naquela hora, como os preparativos para o féretro estavam desenvolvendo-se no Plano Físico e, justamente, quando começou a ser entoada a canção “Nossa Senhora” e os nossos irmãos começaram a movimentar-se, dando início ao cortejo, uma Luz indescritível, descendo por aquele leque iluminado que ligava a Terra ao Infinito — a faixa de luz que ali se instalara logo após ter sido armado o velório no “Grupo Espírita da Prece”, uma Luz que, para mim, era muito superior à luz do próprio Sol e que me acionava a memória para a lembrança da visão que Paulo teve do Cristo, às portas de Damasco, repetiu com indefinível ternura:

“Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Aquela Extraordinária Visão, que sequer povoava os meus sonhos mais remotos de espírito devedor, estendeu dois braços humanos reluzentes e, quando notei que o Chico em espírito se transferia dos braços de Cidália para aqueles Braços que o atraíam, digo-lhes que, desde quando fui beneficiado com o laurel da razão, não tenho recordação de jamais ter chorado tanto...

Aquela Luz, que se humanizava parcialmente para que pudéssemos vê-la, estreitou Chico Xavier ao peito e depositou-lhe um ósculo santo na fronte e, em seguida, partiu, levando-o consigo, despedindo-se com inesquecível sorriso dos que continuavam presos ao abismo, sentenciados pelo tribunal da consciência culpada.

Foi Odilon que, depois de muito tempo, conseguiu falar, comentando conosco:
Eu sempre que lia as páginas do Velho Testamento, ficava intrigado e colocava em questão a narrativa de que o profeta Elias fora conduzido ao céu por “um carro de fogo”... Agora sei que não se tratava de força de expressão ou algo semelhante.

Um grande vazio se fez após e, gradativamente, a faixa de luz foi se recolhendo de baixo para cima, à medida em que o cortejo celestial se retirava.

A praça em que nos havíamos reunido já se encontrava praticamente vazia; diversos grupos, procedentes de várias regiões da Espiritualidade, haviam partido e, agora, os curiosos e desocupados de além-túmulo se aproximavam, como que para vasculhar os espólios do concorrido velório...

Contrastando com a luz do corpo espiritual de eminentes entidades, esses outros nossos irmãos se mostravam opacos em seu novo veículo de expressão, dando-me a impressão de que, embora desencarnados, ainda não tinham logrado completa emancipação; muitos caminhavam sem qualquer desenvoltura, qual se fossem doentes com dificuldade para mudar o passo...

Identificando-nos na condição de adeptos do Espiritismo e amigos de Chico Xavier, começamos a ser abordados por aquelas entidades infelizes que, aos meus olhos, se assemelhavam a sobreviventes onde houvesse sido travada intensa batalha. A grande maioria exibia as vestes em farrapos e, além da obscuridade espiritual à qual já me referi, deixavam exalar de si quase insuportável odor...

Por favor, auxiliem-nos! disse-nos um deles, adiantando-se aos demais; Estamos convencidos de que, realmente, o mal não compensa... O que vimos acontecer hoje, aqui...

Olhando-me, significativamente, Odilon comentou:
Quantas bênçãos a vida e a suposta morte de um verdadeiro homem de bem pode espalhar! Quantos não estarão sendo motivados à renovação íntima, ante o episódio da desencarnação do nosso Chico! ... Ele que, no corpo, descerrou caminhos para tanta gente, ao deixar a vestimenta física, prossegue orientando com os seus exemplos os que se desnortearam além da morte.

Faz-me recordar o que disse Jesus, no capítulo 12, versículo 24, das anotações de João: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto”...

Publicado por: Thalyz Guilhermet